Abr 01

Se você já esteve por aqui antes, sabe que passei no vestibular. Em nome da sinceridade, devo dizer que o curso que escolhi não era dos mais concorridos, apenas oito candidatos por vaga. Mesmo assim, acho válido escrever sobre o que fiz para ser aprovado. Antes de começar, quero deixar claro que minha intenção não é criar um tratado sobre o assunto ou um manual definitivo, nem teria autoridade para isso, mas relatar minha experiência.

O item número um, mais importante do que qualquer outro, é escolher o curso. Diferente do que veio até então, ensino fundamental e médio, o nível superior é mais que um conjunto de disciplinas, é uma carreira. É verdade que se pode mudar de rumo mais tarde na vida, mas, na maior parte das vezes, o curso escolhido será sua profissão.

Por isso acho perturbador quando vejo algumas pessoas estudando para o vestibular, realmente dando seu sangue, mesmo sem ter noção de qual curso querem prestar. O melhor investimento que os cursinhos podem fazer não são as lousas eletrônicas ou apostilas caras das quais eles se gabam, mas um psicólogo vocacional.

A idéia de tentar um curso para ver se gosta, e voltar a fazer o vestibular no caso negativo soa absurda. É uma total inversão de valores, quando o ato de fazer uma universidade se torna mais importante do que realmente aprender algo por lá. Ainda assim, isso acontece com freqüência assustadora. Parece que estão tentando entrar na universidade para continuar sob os cuidados dos pais, como se quisessem fugir do mundo real. Eles se tornam estudantes profissionais, depois de anos de trabalho, ainda não chegaram em lugar algum.

Comigo, foi diferente. Decidi o que queria fazer da vida, então passei a analisar os caminhos que me levariam onde quero. Meus pais me ajudaram muito nessa etapa. Com isso resolvi prestar o vestibular, mas, a essa altura, já sabia qual curso queria. Essa é a ordem natural dos fatos.

Alguns podem argumentar que, em muitos casos, ao terminar o ensino médio, a pessoa ainda é jovem demais para tomar uma decisão tão importante sobre seu futuro. Concordo com isso, só não vejo como desculpa para se aventurar em uma carreira escolhida à uni-duni-duni-tê. Não há nada de errado em passar alguns anos trabalhando para descobrir qual sua verdadeira vocação.

Pelo contrário, saber o que eu queria foi a melhor motivação para estudar e, acredite, foi necessária muita motivação. Isso me leva ao segundo tópico do assunto, a parte onde o sujeito estuda até não conseguir mais focar os olhos nas letrinhas escritas no livro.

Para início de conversa, não fiz nenhum cursinho. Nem meu ensino médio tinha foco no vestibular. Onde estudei, a prioridade são os cursos técnicos, de forma que a parte ão de terceirão, ficou em segundo plano.

Optei pela abordagem mais pragmática. Fiz vestibulares dos anos anteriores das universidades que tentaria, percebi minhas dificuldades, estabeleci prioridades e arrumei livros. Não poderia ser mais simples que isso, e foi eficaz. Não perdi tempo vendo o que já dominava, por outro lado, isso me exigiu maior comprometimento.

Não recomendo meu método para qualquer um. É preciso um quê de autodidata, afinal é mais prático fazer um cursinho e seguir o cronograma preparado por ele. Mas que fique claro: essa não é a única alternativa para alcançar o sucesso, como às vezes pode parecer.

Por último, e não menos importante, na hora da prova, esteja tranqüilo. Sempre treine como se fosse jogo e jogue como se fosse treino. De fato, eu levei mais a sério os simulados do que as provas de verdade. Se você sabe que ficará nervoso, aprenda uma técnica de respiração relaxante, a arte zen de meditação, faça sexo antes, o que funcionar melhor. É tão óbvio que não deveria precisar dizer isso, mas, vendo a quantidade de gente apreensiva com que tive a oportunidade de dividir a sala durante o vestibular, posso dizer que é um erro comum.

Depois, prepare-se para ser coberto de tinta e ter o cabelo cortado. E mesmo que você não passe, não se desespere, lembre-se você começou isso tudo porque tinha uma carreira em mente. Há outras formas de trabalhar para chegar onde você quer, gaste o ano seguinte fazendo isso enquanto estuda.

A sugestão da pauta veio da Fabiane e agradeço a ela.

Escrito por Leandro Facchinetti, com correções de Vanderlei Facchinetti, e publicado Terça-feira, dia 1 de Abril de 2008.
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Jan 25

Retirado do Flickr: http://flickr.com/photos/leff/2159130/É uma prática comum entre os novatos praticar preços abaixo do mercado. Com isso eles ganham a experiência necessária para conseguir trabalhos melhores e se estabelecerem. Quando isso acontecer, aí sim, eles podem cobrar o quanto o serviço vale.

Pela minha experiência, o que posso dizer é: não faça isso. Não subvalorize seu trabalho. Fiz isso no meu primeiro site, foi frustrante. Ficávamos incentivados a não prezar pela qualidade, porque o custo não compensava. Pense bem, não é esse tipo de serviço que você quer no seu portfólio.

No nosso caso, não relaxamos, mas foi um serviço demorado e pouco prazeroso. Depois disso, deixamos de ter alguns clientes, porque eles consideravam o preço muito alto. Isso para não mencionar o sobrionho-do-primo-da-mulher-do-vizinho que faria o trabalho por ninharia. 100% dos sites que deixamos de fazer por esse motivo nunca foram acabados.

Assuma a qualidade do seu trabalho e cobre o preço justo por ela. Dispense os clientes que não querem pagar sem peso na consciência. Como o Cardoso disse, trabalhar para pobre é pedir esmola para dois. Seja enfático, se necessário.

Não quero dizer que é possível começar na profissão cobrando o mesmo que quem já é conceituado. É razoável cobrar menos que a média porque o prazo será maior, ou a qualidade não será do mais alto nível.

A idéia é não se prostituir, caso contrário você está jogando todo o mercado para baixo. E como é desse mercado que você pretende viver, quem perde é você mesmo.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sexta-feira, dia 25 de Janeiro de 2008.
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