Fev 15

Quando foi aberta ao público, a internet era vista, no máximo, apenas como um suporte a mais numa campanha publicitária. Isso fazia sentido, poucas pessoas tinham acesso a ela, e em tempos de conexão discada, até imagens oneravam a banda, de forma que um site não podia mesmo ser muito mais que um cartão de visitas. Os investimentos publicitários nessa área eram quase nulos, até porque o retorno seria limitado.

Bolhas se formaram e estouraram. Agora estamos em outros tempos, a internet passou a integrar qualquer campanha publicitária decente. Mais que isso, houve uma inversão no que se via antes. Antes, peças na web davam suporte à propaganda off-line, elas não eram o principal. Hoje, são os anúncios em revistas e TV que divulgam os sites, eles se tornaram o principal meio de comunicação entre a empresa e seu público.

É possível perceber que as agências procuram isso, seja através do tão comentado marketing viral, nos posts patrocinados em blogs, ou com um perfil no Twitter. Essas são abordagens muito mais atraentes, porque enriquecem a interação entre as duas partes. A marca passa a fazer parte do mundo do consumidor, e esse deve ser o objetivo de qualquer campanha.

Por outro lado, essas iniciativas exigem mais criatividade por parte das agências. Ela deve produzir conteúdo atraente para gerar interesse, e mais, precisa estar em sintonia com o público alvo. A mesma idéia não funciona duas vezes, se faz necessária uma constante renovação. E veja bem, renovação, não reciclagem, porque os consumidores são exigentes, nesse contexto, fidelização só de faz por mérito.

Nós, do outro lado, temos muito a ganhar com isso. E essa evolução mostra o quanto a web amadureceu como mídia. O que não significa que ela seja a solução ideal para todos os casos. Até hoje, a internet ainda carrega, em sua essência, seu estigma de ser segmentada. Por isso talvez não seja a melhor idéia apostar nela para vender sabão em pó para donas de casa, porque ela ainda é formada por nichos.

É uma questão de tempo para essa imagem elitista ir se extinguindo. Nosso papel, até lá, é continuar mostrando serviço para provar que a web é, sim, um investimento inteligente de grande retorno. Não necessariamente seguro, mas isso é um atrativo a mais, não um defeito. Afinal, a intenção é se destacar pela qualidade.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sexta-feira, dia 15 de Fevereiro de 2008.
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Fev 05

Eu sou um grande incentivador do modelo de negócios baseado em publicidade. Ele permite criar um produto de qualidade que rende de forma justa e pode ser distribuído com custo baixo ou nulo. É o que penso ser mais apropriado para conteúdo digital, exceto talvez no caso de aplicações de grande porte que atendem nichos específicos.

Grandes empresas provam que é possível ganhar (muito) dinheiro sem precisar colocar uma etiqueta de preço ao lado da mercadoria. E um dos pilares da prática é manter a publicidade com grande visibilidade tomando o cuidado de não ser obstrusivo. Isso porque um anúncio escondido não será visto, e um anúncio que impede o aproveitamento do conteúdo é contravenção, vai contra a essência do que se espera do modelo.

Uma peça publicitária mal colocada pode fazer o usuário se incomodar e ir embora, ou pior, se perder. Acredito que visitantes felizes gerem maior renda, e mesmo que isso não seja verdade, tenho certeza de que os insatisfeitos terão pouco incentivo para retornar ao site. A longo prazo isso se refletirá nos rendimentos de forma brutal.

A publicidade do século XXI DEVE ser entretenimento também. Em um contexto onde o botão de fechar pode ser acionado a qualquer momento, ou o conteúdo pode ser adquirido livre de anúncios facilmente (por vias legais ou ilegais, para o escopo desse artigo, isso não interessa), se a peça não chamar atenção por ter conteúdo, será ignorada. A marca só se fixará na mente do consumidor se for atraente, caso contrário a propaganda não será vista, ficará no ponto cego do olho do usuário.

Para atingir esse objetivo, vale tudo: campanha viral, abordagem baseada em valores dos grupos que são público-alvo, investimento em meios alternativas, como posts patrocinados em blogs, etc.

Dito isso, estava eu lendo uma lista de discussão de um grupo do Yahoo, quando me deparo com a seguinte tela:

Tela de propaganda do Yahoo Grupos

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Desculpe, Yahoo, vocês entenderam errado.

Junto de cada uma das mensagens da lista, aparece uma publicidade. Logo ao lado do texto, antes da dobra, local nobre, de alta visibilidade. Nada mais justo, afinal eu não estou pagando para usufruir do serviço, e eles estão ali para ganhar dinheiro.

Mas quando a propaganda fica no caminho do conteúdo, alguma coisa está errada. Se o objetivo era aumentar o número de visualizações, considero essa uma estratégia suja, há meios melhores, e o Yahoo não precisa disso.

Assim eles estão jogando contra. As pessoas vão criar uma resistência a esse modelo, e aí não tem volta.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Terça-feira, dia 5 de Fevereiro de 2008.
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