Um tempo atrás passei alguns dias acompanhando vários noticiários televisivos. Não fazia isso desde que comecei a ler blogs. Não pude deixar de reparar como as notícias se repetem. As pautas são as mesmas, a abordagem é sempre semelhante, até porque o formato do jornal força uma linguagem específica.
Tenho a impressão de que a única redação de jornal que realmente trabalha é a do primeiro noticiário da manhã. As outras assitem e repetem. Crueldade da minha parte, eu sei.
Todos tentam passar uma imagem de imparcialidade. Falsa, porque como dizia minha professora de história “ninguém é neutro, nem xampu neutro é neutro de verdade”.
No pior dos casos o âncora faz um breve comentário ao final da reportagem. Acaba a matéria sobre o aumento de 500% na criminalidade, ele solta um “isso é uma vergonha!” com uma cara feia. E passa para a história seguinte, sobre o preço no material escolar na época de volta às aulas.
É justamente esse o maior atrativo dos blogs. Neles, se espera que a notícia venha acompanhada de opinião, afinal o texto foi escrito por pessoas para pessoas. O contato é imediato e direto, não há um jornal como mediador. E isso é fantástico, porque nos comentários pode surgir uma discussão que revela novos aspectos da questão. A manifestação de diferentes lados de forma verdadeiramente igualitária.
Assim, sendo parcial por excelência, os blogs são a ferramenta de comunicação mais imparcial já criada. Por isso posso ler várias vezes sobre o mesmo assunto sem me incomodar, ele não se esgota, cada novo texto terá algo de relevante a dizer. Isso vale muito mais que um “isso é uma vergonha!”.
Agora, nada contra o Boris Casoy.
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