Lembro de, há algum tempo, estar procurando algo para assistir na tevê e, ao passar pela HBO, encontrar um espetáculo diferente de tudo que conhecia. Era apenas uma mulher no palco falando, com um microfone nas mãos; sem cenário, apenas um banco em que se encontrava uma garrafa com água. Na sua frente, milhares de pessoas ocupavam vários andares de platéia. Todos rindo.
Mais tarde, descobri se tratar da Ellen DeGeneres, o show se chama Here & Now, e o que ela faz tem nome: Stand-up Comedy. É um gênero de humor em que o comediante se apresenta sozinho, sem recurso algum além de um microfone, tanto que também é conhecido por humor de cara limpa. Sendo assim, o destaque está todo no texto e no ator. Achei aquilo fabuloso.
É o que o Jô Soares e o David Letterman fazem em pequenos blocos, mas, nesse caso, com mais de uma hora de duração. Acredito que seja a forma mais direta de teatro, não há personagens ou enredo, e o objetivo é muito claro, fazer as pessoas rirem. Para isso, normalmente o texto trata de coisas cotidianas, a graça vem da reflexão.
Essa é outra característica que me atrai. O humor é inteligente porque não subestima a platéia, e ela é muito mais participativa do que normalmente seria. No fim, as pessoas estão mais rindo de si mesmas do que da peça. Saem todos os adereços e aparatos, as tortas na cara e narizes de palhaço, e o que sobra é nossa vida. Afinal, há algo mais hilário que ela?
Não pense, entretanto, que é fácil fazer esse tipo de comédia. Há sempre um texto preparado, que leva anos para ser desenvolvido. Normalmente, não se usam piadas prontas, dessas de salão, e é comum que o ator redija seu próprio material. Além disso, ele precisa saber improvisar muito bem para se adaptar ao público. Especialmente na hora de lidar com os hecklers, como são chamados os sujeitos que berram besteiras ou insultos no meio da apresentação.
Por conta disso, mesmo que seja uma apresentação repetida, consigo me divertir toda vez que assisto um show de stand-up comedy. Nem que seja só por invejar a capacidade desses atores de se expressar bem. Alguns acreditam que seja a modalidade mais complicada de atuação, tamanha a dificuldade de dominar uma audiência tão participativa.
Como o nome já entrega, o stand-up comedy não surgiu no Brasil. Mas está começando a se popularizar por aqui, o Rafinha Bastos faz sucesso no Youtube e excursiona o país com seu A arte do insulto, que gostaria de assistir. Espero que, em breve, tenhamos um Jerry Seinfield tupiniquim.
Enquanto isso não acontece, aproveite para conhecer esse gênero. Afinal, o humor é a mais nobre manifestação da inteligência, e sua essência é o stand-up comedy.
Atualização: Obrigado, Vanderlei, meu pai, pelas correções nesse texto e em vários outros.

A piada é perfeita, porque a maior parte não entende. E quem entende acha sem graça. É uma ótima oportunidade para rir sozinho e acrescentar um pouco de entropia no universo.
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