Mar 27

Lembro de, há algum tempo, estar procurando algo para assistir na tevê e, ao passar pela HBO, encontrar um espetáculo diferente de tudo que conhecia. Era apenas uma mulher no palco falando, com um microfone nas mãos; sem cenário, apenas um banco em que se encontrava uma garrafa com água. Na sua frente, milhares de pessoas ocupavam vários andares de platéia. Todos rindo.

Mais tarde, descobri se tratar da Ellen DeGeneres, o show se chama Here & Now, e o que ela faz tem nome: Stand-up Comedy. É um gênero de humor em que o comediante se apresenta sozinho, sem recurso algum além de um microfone, tanto que também é conhecido por humor de cara limpa. Sendo assim, o destaque está todo no texto e no ator. Achei aquilo fabuloso.

É o que o Jô Soares e o David Letterman fazem em pequenos blocos, mas, nesse caso, com mais de uma hora de duração. Acredito que seja a forma mais direta de teatro, não há personagens ou enredo, e o objetivo é muito claro, fazer as pessoas rirem. Para isso, normalmente o texto trata de coisas cotidianas, a graça vem da reflexão.

Essa é outra característica que me atrai. O humor é inteligente porque não subestima a platéia, e ela é muito mais participativa do que normalmente seria. No fim, as pessoas estão mais rindo de si mesmas do que da peça. Saem todos os adereços e aparatos, as tortas na cara e narizes de palhaço, e o que sobra é nossa vida. Afinal, há algo mais hilário que ela?

Não pense, entretanto, que é fácil fazer esse tipo de comédia. Há sempre um texto preparado, que leva anos para ser desenvolvido. Normalmente, não se usam piadas prontas, dessas de salão, e é comum que o ator redija seu próprio material. Além disso, ele precisa saber improvisar muito bem para se adaptar ao público. Especialmente na hora de lidar com os hecklers, como são chamados os sujeitos que berram besteiras ou insultos no meio da apresentação.

Por conta disso, mesmo que seja uma apresentação repetida, consigo me divertir toda vez que assisto um show de stand-up comedy. Nem que seja só por invejar a capacidade desses atores de se expressar bem. Alguns acreditam que seja a modalidade mais complicada de atuação, tamanha a dificuldade de dominar uma audiência tão participativa.

Como o nome já entrega, o stand-up comedy não surgiu no Brasil. Mas está começando a se popularizar por aqui, o Rafinha Bastos faz sucesso no Youtube e excursiona o país com seu A arte do insulto, que gostaria de assistir. Espero que, em breve, tenhamos um Jerry Seinfield tupiniquim.

Enquanto isso não acontece, aproveite para conhecer esse gênero. Afinal, o humor é a mais nobre manifestação da inteligência, e sua essência é o stand-up comedy.

Referência

Atualização: Obrigado, Vanderlei, meu pai, pelas correções nesse texto e em vários outros.

Escrito por Leandro Facchinetti, com correções de Vanderlei Facchinetti, e publicado Quinta-feira, dia 27 de Março de 2008.
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Mar 21

http://www.flickr.com/photos/loungerie/1525574884/

Quando escrevi que não abandonaria meu senso de humor, não foi necessariamente a esse tipo de humor que eu me referia. Mas não resisti à piada, ela é deliciosamente herética para eu deixar passar.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sexta-feira, dia 21 de Março de 2008.
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Mar 20

Mais uma vez, vou apelar para a metalinguagem. Pode ser útil para quem pretende desevolver desenvolver qualquer atividade ligada à criatividade, nesse caso, escrever um blog. Se não for, serve apenas como um manifesto, para eu ler daqui algum tempo e refletir.

Quando iniciei este blog, eu me enchi de referências e dei vazão a minha vontade de escrever. Isso funcionou bem para os primeiros textos, mas agora já chegou a hora de desenvolver um estilo próprio. É muito complicado partir do que já é conhecido para criar algo novo e autêntico. Exige muita dedicação e, ainda assim, não há garantia alguma de sucesso.

Nessa hora, trabalhar exclusivamente com material pessoal complica ainda mais a situação. Não há parâmetro nenhum para me guiar, o que é libertador, é verdade, mas desafiador também. Minha primeira ação foi definir melhor meu público. Em vez de atirar para todos os lados, focar em determinados formatos parece ser uma abordagem interessante.

Não me limitei nos assuntos, até porque essas decisões são para auxiliar, não para diminuir as possibilidades, e conseqüentemente, a diversão. Foi apenas um caminho natural que me levou a direcionar em um tipo de leitor. Mas nessa empreitada em me definir como blogueiro, agora percebo, arruinei meu humor. E a isso que se refere a sabotagem no título.

Sei que meus textos mais recentes não estão mal escritos. Mas estou longe de ficar satisfeito com eles. Parece tudo muito lúcido, mas sem graça, além de que estou usando um vocabulário rebuscado demais. Não adianta explorar decentemente um assunto e ter como resultado um artigo pouco atraente. Especialmente porque quero cumprir um objetivo: ser lido pela maior quantidade possível de pessoas.

Aparentemente, meu gosto pelas técnicas de apresentação de idéias jogou contra mim mesmo. Mas não quero falar com as paredes, então, a partir de agora, minha missão é simplificar o que faço. De fato, acredito cada vez mais naquela frase que define escrever não como juntar palavras, mas cortá-las.

Ser simples é muito difícil, mas vale a pena o esforço. Os Titãs conseguiram passar sua mensagem para um público maior que o Caetano, não há o que discutir, e eles não precisaram nivelar por baixo para isso. Esse é meu novo ideal de excelência.

Tenho medo de me enquadrar naquela parcela de blogs que faz parte da blogosfera intelectual. Não vou deixar de me preocupar em melhorar a escrita, mas não colocarei isso acima do senso de humor, que é a mais nobre manifestação de inteligência. Esses meus últimos posts vão ficar lá para me lembrar disso.

Escrito por Leandro Facchinetti, com correções de Vanderlei Facchinetti, e publicado Quinta-feira, dia 20 de Março de 2008.
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Jan 27

Acredito que meus pensamentos funcionem de um jeito diferento do resto das pessoas. Nunca entrei na cabeça de ninguém, nem pretendo fazê-lo, assim não tenho como provar minha teoria. Talvez todos sejam iguais a mim, mas eles não se manifestam, assim eu jamais saberei a verdade.

Por que estou dizendo isso?

Assim como quando seu nome é perguntado ele imediatamente vem à memória, eu tenho respostas mentais prontas para algumas coisas. É inexplicável e incontrolável.

Exemplos:

Há uma empresa de transportes que se chama Dalçoquio. Eventualmente passa algum caminhão com esse nome estampado. Pois toda vez que vejo ou ouço esse nome o que penso é: Dalçoquio, outro vai lá e dá o chutio.

Outra: sempre que ouço alguém falando em forras, aquela madeira que fica no batente da porta fazendo o acabamento, troco mentalmente o f pelo p. Sempre produz sentenças engraçadas.

Se me vir rindo sozinho, não estranhe.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Domingo, dia 27 de Janeiro de 2008.
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Jan 20

http://flickr.com/photos/marie-g/1223410820/A piada é perfeita, porque a maior parte não entende. E quem entende acha sem graça. É uma ótima oportunidade para rir sozinho e acrescentar um pouco de entropia no universo.

História real, algum tempo no passado:

- Vamos naquela montanha russa que tem dois loopings?

- Um while e um for?

Todos olham com cara de interrogação para o Leandro, que se mata de rir.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Domingo, dia 20 de Janeiro de 2008.
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