Jan 22

Retirado do Flickr: http://www.flickr.com/photos/13104072@N07/1360200844/Eu tenho uma forte crença de que os noticiários às vezes não tem o que noticiar. Há épocas em que nada de realmente interessante acontece. Não que o mundo seja monótono, mas não é todo dia que alguém tem a brilhante idéia de jogar aviões em prédios, para movimentar as redações de todos os veículos noticiosos. O que fazer nesses dias?

Ir ao ar para dizer “sinto muito pessoal, hoje não tem nada de bom para passar no jornal, fiquem com esse especial sobre balé russo…” não daria certo. Inventar fatos sem qualquer conexão com a realidade também não. A solução é simples: fingir que algo que poderia muito bem passar despercebido tem toda a importância do mundo. Chamar especialistas para comentar o tema, criar infográficos, entrevistar as pessoas na rua para saber o que elas pensam sobre o assunto…

Só que quem para pensar percebe que não passa de uma grande bobagem. Não é mais nobre que um hoax do Cocadaboa.

Sim, estou me referindo ao caso da febre amarela. Por dias todos os jornais só falavam dela. O que fez milhares de pessoas tomarem a vacina, chegou a acabar o estoque em alguns lugares. Todos muito preocupados, será uma nova epidemia? Devo construir um bunker e me isolar, porque será uma peste negra reloaded?

Nada disso. Convenhamos, as chances de morrer de febre amarela são menores que sendo atingido por um raio, ou esmagado por um hipopótamo gripado. Não nos deixemos abalar pelo sensacionalismo. Entendo o lado dos jornalistas, eles tem que colocar essa roda para girar, são business. Mas por favor, usemos nossa massa encefálica e reflitamos sobre o que chega até nós.

Pode parecer exagero da minha parte, não é. Pouco tempo atrás foi a gripe do frango, antes disso o anthrax.

Alguns podem argumentar que tais epidemias só não aconteceram graças à intervenção da mídia. Acho que isso é meio difícil de acreditar. Mas mesmo que eu esteja errado, não entremos em pânico por antecipação, vítimas dessa política terrorista.

Caso contrário ficaremos com medo de um saco de farinha. E ninguém quer isso.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Terça-feira, dia 22 de Janeiro de 2008.
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