Quem me conhece sabe que passei o ano passado concentrado no vestibular. Com isso não só estudei as matérias que são pedidas, mas passei a conhecer a natureza desse teste. Hoje acabei a última prova, da última universidade que tentei. Terminada a maratona, agora é hora de refletir sobre tudo que passei.
Para começar, esse rito de passagem é muito criticado, acusam de ser um método injusto, discriminatório. Eu não poderia discordar mais. Talvez pudesse haver uma forma mais sofisticada de avaliar os alunos, de repente entrevistando-os um a um, por exemplo. Mas essas práticas demandariam tempo e investimentos absurdos, que tornam toda a operação inviável. O vestibular é o melhor jeito de escolher os candidatos que estão aptos à entrar na universidade.
Fato é que o vestibular é uma prova meritocrática. O estudante deve ser bom o suficiente para merecer uma vaga, simples assim. Não apenas bom no sentido de conhecer os conteúdos pedidos, mas também de saber gerenciar o tempo, ser maduro, crítico, até mesmo pontual, para chegar no local de prova no horário. Por isso não tenho dó dos candidatos que chegam um minuto depois dos portões fecharem, eles ficam com cara de mamão numa reportagem que todo ano se repete, e eu acho graça.
Idéias como a avaliação do histórico escolar são problemáticas porque falham em apontar quem é melhor aluno. É notório que são as piores escolas que dão as melhores notas. Políticas de ações afirmativas e cotas são igualmente deturbações de avaliação. Se o Estado se preocupasse realmente com a educação dos favorecidos por esses programas investiria em educação básica, em vez de remendar o estrago num estágio avançado da vida acadêmica do estudante. Um caso clássico de foco no problema, não na solução. No fim a situação é maquiada e, já que parece solucionada, estende-se indefinidamente. Infelizmente parece atitude para conquistar votos no grande celeiro eleitoral que as classes baixas se tornaram.
Essa sucessão de eventos forma o curioso cenário atual. Há uma completa inversão do que deveria ser ensino público e privado. Os estudantes do ensino médio de escolas privadas querem ir para as universidades federais e estuduais porque elas têm maior prestígio. Para os outros as chances de ingressar nessas instituições são menores, então por falta de opção acabam pagando pelo ensino superior.
Não há uma solução única e definitiva para o problema. Ele é muito mais complexo que pode parecer, não basta o óbvio: investir no ensino fundamental e médio. Mas se há uma certeza é de que mudar o sistema do vestibular não é uma alternativa.
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