Além de escrever um blog e estudar ciências da computação, também sou músico. Toco violão, guitarra, baixo, teclado e canto, juro, posso provar. Gosto muito de fazer isso, e me orgulho da música que consigo fazer. Mesmo assim, odeio tocar em público. Não é vergonha, nem falta de auto-confiança, sempre fico com a sensação de que as pessoas não sabem dar o valor que o som merece, além de achar que poderia estar tocando melhor. Parecem sensações imcompatíveis, mas para mim não são.
Lembro de ter ficado muito incomodado quando, enquanto estava tocando, as pessoas conversavam. Como ousavam elas, não prestar atenção em mim, e ainda interferir no som com suas vozes. Lógico que quem quer ser músico deve tolerar isso, e por isso decidi levar a música como hobbie.
Então acabei por me deparar com a síndrome do músico amador. Quando jovem, o músico tem tempo e disposição para tocar. Ele provavelmente acabou de conhecer esse universo e ainda está encantado com a infinitude de possibilidades que a música proporciona. É uma liberdade criativa realmente incrível.
O problema é a falta de equipamentos. Eles são caros, e exceto no caso de alguém lhes presentear, inacessíveis. Graças aos meus pais, sempre tive os instrumentos que quis, mas nem todos têm essa sorte. E mesmo no meu caso, é natural estar constantemente desejando algum item novo.
O paradoxo que realmente torna essa narrativa interessante, é o que vem a seguir. Com o tempo, o músico amador vai conseguindo os equipamentos. Mas lhe falta o tempo para usufruir deles. O trabalho lhe ocupa, e mesmo quando há folga, por vezes falta disposição, tão cansado que está.
O mesmo fenômeno, acontece nos blogs, pelo que percebo. Quando o jovem blogueiro tem tempo para escrever, falta-lhe assunto, porque não viveu o necessário para tornar o texto interessante. Já quando os temas surgem, isso necessariamente significa que o tempo para blogar diminuiu.
Uma saída possível é fazer um blog que fale de blogs, e eu faço muito disso. Mas essa retroalimentação não pode ser eterna, porque não seria saudável. Para sustentar a idéia, evoco uma referência que me compromete. É sim, uma série de garotas, confesso que comecei a assistir por recomendação de uma garota. Mas é bom, e eu gosto.
Enfim, estou falando de um episódio de Dawson’s Creek em que o Dawson conhece uma outra cineasta e, depois de uma pequena conversa, ela o decifra e pergunta se seu quarto tem as paredes cobertas de posteres dos filmes do Spielberg. Ele diz que sim e questiona se não é normal um aspirante a diretor de cinema gostar de filmes. Ao que recebe a resposta de que, dessa forma, tudo que ele conseguiria fazer é um filme sobre outros filmes. Realmente, pouco tentador.
Perceba como a vida consegue ser delicadamente cruel. A satisfação nunca é plena, por isso o ideal de perfeição é absurdo e inatingível. Mas isso não significa que estamos fadados a viver uma vida miserável. Pelo contrário, é possível ser feliz, só é impossível querer tudo.
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