Mar 13

Não sou nenhum openxiita (nem poderia, estou escrevendo este texto no Word, seria um contrasenso), mas simpatizo com o modelo open source. Ele já é adotado em muitos projetos sérios, por empresas que não têm como objetivo defender a ideologia de conhecimento livre para todos, e sim ganhar dinheiro. O que eu vejo como uma prova de que o open source é um modelo de negócio viável e atraente. No entanto, por mais contraditório que possa parecer, a principal barreira que o impede de ganhar ainda mais mercado é justamente o fã que faz propaganda dele.

Não me refiro a qualquer divulgador, alguns são muito competentes e, nesse caso, a contribuição é muito valiosa. Estou falando daquele tipo de gente que lota as listas de discussão Mico$oft $ucks e se acha o máximo porque só usa softwares que o Stallman aprovaria. As atitudes dessas pessoas são contrapropaganda. Veja, por exemplo, o caso da Novell, que há algum tempo tornou a Microsoft sua parceira. Quando ouviram a notícia, muitos não tardaram a taxar a empresa de vendida, acusaram-na de ter se entregado ao lado azul da força.

O open source não precisa de defensores como esses, talvez seja melhor sem eles. Não é preciso muito para perceber que fazer parcerias é o único jeito de se manter no mercado, ainda mais em tempos de globalização. Se, mesmo assim, não parece uma boa idéia associar-se com algumas empresas, gosto de recordar uma frase que não lembro onde ouvi, mas acredito que possa ser atribuída à máfia italiana “mantenha seus amigos perto, e seus inimigos mais perto ainda”.

Aceitar as diferenças e se aproveitar delas é sinal de maturidade. Talvez falte um pouco disso nos fãs inconvenientes do open source, até porque boa parte deles não tem mais do que quatorze anos de idade. É uma pena que essas pessoas contaminem a imagem do modelo, porque ele não é acompanhado de uma ideologia, como eles querem que pareça.

Adam Werbach é um exemplo de como isso funciona no mundo real, e não é ligado ao open source, sequer à informática, mas ao ambientalismo. Por muito tempo Werbach fez o tipo ecochato, daqueles que fazem barulho e não são ouvidos. Até o dia em que foi trabalhar para o Wal-Mart, uma das companhias que mais polui no mundo.

Acredito que não tenha sido fácil para ele tomar essa decisão. Antes de estar no quadro de funcionários do supermercado, escreveu críticas bastante ácidas sobre a rede. Foi preciso uma dose de maturidade para superar o ódio e seguir em frente. De fato, passou-se um ano entre a proposta de emprego e a contratação.

Lógico que alguns de seus companheiros de causa acusaram-no de vendido, da mesma forma que fãs do open source cheios de ideologia. Mas hoje ele contribui muito mais para um planeta saudável do que nos tempos de ambientalista clássico. E ainda é respeitado no meio, é um dos seis conselheiros mundiais do Greenpeace.

Entre grandes empresas ditas rivais, vê-se a mesma coisa. Em seu keynote mais recente, Steve Jobs agradeceu e parabenizou a Microsoft pelo Office 2008 para Macs. A Apple pode ser concorrente, mas as companhias precisam umas das outras. Isso é parte do que torna o mercado tão interessante.

No fim das contas, não se consegue chegar a lugar algum sozinho. É preciso fazer associações, e é importante saber escolher os parceiros corretos. Perceber isso é o que diferencia as empresas de sucesso daquelas movidas por ideologia adolescente. Pode até ser alguém de quem não se gosta, afinal, não é nada pessoal, são business.

Escrito por Leandro Facchinetti, com correções de Vanderlei Facchinetti, e publicado Quinta-feira, dia 13 de Março de 2008.
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Fev 16

Supostamente, deveria ser muito simples para mim, emitir uma opinião sobre a pirataria. Meus pais me sustentam, e eles vivem das locadoras de filmes que têm. Então, dependo do aluguel de dvds legalizados, sendo assim, eu deveria combater a pirataria e ser veemente contra ela.

Pois não é assim que funciona, porque sou ponderado, então deixe-me elaborar um pouco mais. Por um lado é claro que a pirataria está matando as produtoras tradicionais de conteúdo. O baque na indústria é forte e percebido por todos que estão no meio. Mas se você analisar a fundo, verá que ela estava fadada a acabar, de uma forma ou de outra, pelo menos nos moldes tradicionais que reconhecidamente funcionaram no século passado.

Com a revolução tecnológica que vivemos, e a facilidade de acesso às ferramentas de produção, está claro que evoluiríamos para a criação e consumo localizados. É a formação de nichos que prega a teoria da cauda longa. De forma que a pirataria no máximo está acelerando um processo natural.

Há de se admitir, ainda, que em alguns casos a pirataria foi involuntariamente a melhor promoção que um produto poderia ter. É o caso do megahype do Tropa de Elite, por exemplo. O filme é ótimo, um dos melhores filmes nacionais que já vi. Apesar de explorar um tema que já se tornou repetitivo, é de qualidade comparável ou superior aos padrões americanos. E sem se render a ele, pois possui uma estética genuinamente nacional.

Mesmo assim, eu duvido que ele teria feito tanto sucesso se não tivesse vazado antes e virado notícia. É triste que isso seja a verdade, mas ser piratiado foi bom, nesse caso.

Outro exemplo disso é o jailbreak do iPhone. Não fosse ele, as vendas do aparelho não seriam as mesmas. Especialmente para os consumidores das áreas não abençoadas pela Apple, onde comprar um iPhone seria jogar dinheiro fora. Sendo assim, por mais que eles digam que quem desbloqueou não é cliente Apple, eles estão ganhando com a pirataria. Levantam-se outras questões referentes a isso, mas são secundárias para o que estou discutindo.

Até entre os softwares que ganham com licenças, vejo um lado positivo na pirataria. Não fossem os desenvolvedores que usam o Adobe Flash pirata, por exemplo, dificilmente ele teria se tornado padrão na web. E isso inibiria a venda para aqueles que realmente pagam. Com o Windows acontece o mesmo.

Sei que essa defesa é paternalista e problemática. De fato, em um mundo ideal a pirataria não seria necessária, todos pagariam pelos produtos que consomem e seriam felizes. Mas não é assim que funciona no meu mundo, e especialmente no país onde vivo.

Para piorar a situação, as produtoras de conteúdo vão na contramão. Elas não se ajudam, relutam em se adaptar à nova realidade. Espera-se que elas mudassem seus planos de negócios. Diminuindo os preços para entrar na competição, ou justificando a diferença com um produto de alta qualidade, para atingir os públicos mais exigentes.

Não é o que vejo, os CDs hoje em dia, por exemplo, custam uma fortuna, e tem acabamento abaixo da crítica. Muitas vezes o encarte é apenas uma folha dobrada ao meio. Isso sem falar nas táticas frustradas de entrar pela porta dos fundos em um mercado que não conhecem mais.

Mesmo correndo o risco de contaminar meu argumento por me fazer parecer um apologista, tenho que confessar que sou um pirata, também. Tenho muitos gigas de músicas e softwares ilegais. Talvez isso seja culpa do preço ou da falta de oferta, no caso das canções, já que não há uma loja de venda on-line decente no Brasil. Mas não é justificativa convincente o suficiente, sei que estou agindo errado e não me orgulho disso.

Para aumentar a contradição, defendo os direitos autorais sobre textos. Copiar e dizer que é seu, um artigo de um blog cuja licença não permite tal prática, é pirataria, e é uma atitude nojenta. Mesmo que esteja sob uma licença permissiva, assumir a autoria de algo feito pelos outros é falta de respeito. Não acho isso só porque estou escrevendo um blog, já tinha essa idéia muito antes de começar. E não estou sozinho nessa defesa.

Não encontrei ainda nenhum texto meu em outros lugares, sem que eu tenha dado permissão. Mas creio que isso acontecerá, porque infelizmente parece ocorrer com freqüência. O que denuncia a falta de capacidade de produzir conteúdo de qualidade e a falta de caráter em se apropriar do material alheio existente em muita gente.

É complicada minha opinião sobre o assunto. Muitas vezes reflito sobre algum aspecto de forma diferente do que fazia antes, e chego a uma nova conclusão, mudando de opinião. Por isso, posso vir a discordar do que disse aqui, e escrever sobre isso novamente no futuro. Por enquanto, é isso que penso.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sábado, dia 16 de Fevereiro de 2008.
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Fev 07

Acredito que o modelo Open Source de desenvolvimento seja viável. Não quando se segue uma ideologia de que a produção intelectual não deve ser taxada, até porque quem tem esse pensamento geralmente não gera conteúdo algum, apenas prega o que pensa ser melhor para os outros.

Estou me referindo a olhar para o Open Source da mesma forma que se vê o capitalismo tradicional. Com maturidade e pé no chão, fazendo dele uma alternativa em que para um ganhar, o outro não precisa perder. Na teoria dos jogos isso tem nome, chama-se soma não-zero.

Mas o que dizer dos projetos que claramente não darão retorno financeiro algum? Por que algumas pessoas altamente capacitadas investem seu conhecimento e tempo em certas iniciativas, como o Jailbreak do iPod?

O destravamento do iPod e as aplicações desenvolvidas por terceiros são gratuitos. Não há publicidade ou investimento de uma grande companhia custeando as despesas, por isso não acredito que eles estejam ganhando o suficiente sequer para pagar o esforço. Mesmo assim o produto é muito bem resolvido. Com elegância e competência impressionantes, maiores que as de muitas gambiarras por vezes feitas pelas próprias fabricantes dos aparelhos (não que esse seja o caso da Apple).

Só posso acreditar que essa é uma demonstração do verdadeiro espírito hacker. O objetivo é ir onde ninguém nunca foi, fazer o que nunca foi feito, usar o aparelho para algo que ele não foi planejado, ou melhorar os recursos já existentes. A gratificação é ver que é possível, e também usufruir, afinal eles são também o público-alvo das aplicações que escrevem.

Não vejo maneira melhor de assegurar a qualidade de um produto senão colocar seu consumidor para projetá-lo, sem falar no quanto se economiza no setor de controle de qualidade. Alguns projetos baseados em colaborações do usuário já perceberam e se aproveitam disso.

A pergunta que fica, entretanto, é outra: quando sair o SDK oficial, essa força de trabalho estará disposta a continuar contribuindo? Ou será que, como é isso que se espera deles, vai parecer trabalho gratuito, e então o incentivo de escrever aplicativos originais e criativos acaba?

Segundo o próprio grupo, o ritmo de desenvolvimento será mantido. Mas quando ele é institucional, creio que perca o frescor que só a ousadia confere.

Uma abordagem interessante para resolver o impasse, gerando um incentivo genuíno, é a proposta pelo Android, o sistema operacional para celulares do todo poderoso. Em vez de contratar uma equipe de programadores, eles darão um prêmeio. São dez milhões de dólares ao aplicativo que eles julgarem ser o melhor.

Na minha opinião, isso é genial. Apenas aproveitar a sabedoria das massas, e nessa hora, a motivação certa é tudo.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quinta-feira, dia 7 de Fevereiro de 2008.
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Jan 12

Imagem retirada de: http://oberknel.fr/dotclear/index.php?GeneralConversa entre Leandro e neófita, algum tempo no passado:

- Mas esse Touch não é parecido com o Nano de segunda geração que você já tem?

- Não, o novo iPod Touch tem mais espaço de armazenamento, a capacidade de tocar vídeos, tela maior e sensível ao toque, suporte à navegação na internet via Wi-Fi. É quase um iPhone, só não faz ligação. Além do mais ele é lindo. E tem um novo sistema de busca de música, as capas dos discos vão passando como toque do dedo, é de impressionar as visitas, o nome é cover flow. E além disso…

Leandro é interrompido por um ataque de riso.

- O que tem de engraçado com o cover flow?

- É que parece couve-flor.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sábado, dia 12 de Janeiro de 2008.
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