Abr 07

Sou satisfeito com o nome que meus pais me deram: Leandro. Não é estranhamente incomum, nem popular o suficiente para eu encontrar homônimos em todo lugar. É fácil de escrever, ninguém fica com dúvidas na grafia, não preciso esclarecer se é com v ou w, i ou y. Fico incomodado quando confundem com Leonardo, que nada tem a ver, exceto pela ex-dupla sertaneja, mas consigo viver com isso.

Só que nem todos têm essa mesma sorte. Circulam pela internet listas de nomes que parecem mais vingança por parte dos pais. Desses eu tenho pena, afinal o nome é importante, ele é capaz de criar uma impressão positiva ou negativa logo no primeiro contato. Segundo os autores de Freakonomics, ele influencia até no sucesso que o portador terá na vida.

Acima da todos, entretanto, tenho pena dos que são chamados de João, Maria ou Zé. Sujeito desconhecido é João-Ninguém, aquele que se faz de desentendido é João Sem Braço, piada de criança mal criada é de Joãozinho, o boneco em que você bate e ele volta é João bobo. Quem não toma decisão é Maria vai com as outras; mulher interesseira é Maria gasolina, Maria chuteira; chamam uma planta que dá em qualquer lugar de Maria sem vergonha (o nome científico é Impatiens walleriana, mas as Valérias foram poupadas dessa); até neologismos jogam contra, quando Maria Joana vira sinônimo de maconha.

Pior ainda para os Zés. Além de haver a adaptação de João-Ninguém, que se torna Zé-Ninguém, ainda existe o Zé Povinho; não contentes em chamar os otários de manés, colocaram gratuitamente um Zé na história, criando o Zé-Mané; da mesma forma com o Zé ruela. Sem falar que em todo lugar que você for, há um Zé. Quem não tem um tio Zé?

Nem vou entrar no mérito dos Zé Marias. Tadinhos.

Dentre todos esses Zés, este texto é dedicado a um em especial. O Jackson do Pandeiro, autor de Como Tem Zé, da qual só encontrei essa versão para mostrar a vocês, infelizmente, nesse vídeo não é o próprio Jackson se apresentando:

Não gosto de forró, mas o Jackson é muitas vezes classificado nesse ritmo e ele eu acho genial. O repente talvez seja a manifestação musical genuinamente tupiniquim de que eu mais gosto. Uma pena que poucas pessoas conheçam aqui no Brasil. E lá fora menos ainda, porque outros ritmos nacionais são preferidos pelos ouvidos estrangeiros. Antigamente a bossa nova e a psicodelia dos Mutantes, hoje em dia o som do CSS. Talvez aconteça assim porque esses movimentos tomem emprestadas referências com as quais eles já estão acostumados: o Jazz no caso da bossa, o rock progressivo para os Mutates e o New Rave do Cansei.

Mas é importante saber o que há nas entrelinhas quando o Lenine canta Jack Soul Brasileiro:

O refrão é a Cantiga do Sapo, o interlúdio, Chiclete com Banana, que é do Gordurinha, mas conheci na voz do Jackson. Só depois de muito tempo esse nome batizou a banda de Axé Music. E saiba também que a canção do Lenine foi feita para a Fernanda Abreu, que ajudou a inaugurar o pop rock nacional nos anos 80 com a Blitz, e hoje se diz funkeira.

Já esse funk do Rio, no fundo é Miami Bass, porque funk de verdade é o que James Brown fazia. E o funk, junto de outros estilos black como o R ‘n’ B, foi a base do que se conhece por Hip-hop. Este, por sua vez, apareceu em Nova York em bairros onde moravam muitos jamaicanos, de onde veio o rei do reggae. Analisando o estilo: rimas em cima de uma batida, o hip-hop lembra muito o repente. E, de repente, a gente chega de volta no Jackson do Pandeiro.

No fim, está tudo interligado, é tudo uma coisa só. Mesmo nascido em 1919, o Jackson está entre nós até hoje. É assim que as coisas funcionam nesse mundo de Joães, Marias e Zés.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Segunda-feira, dia 7 de Abril de 2008.
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Mar 29

Há momentos em que somente palavras escritas não bastam. Esse é um deles. Aperte o play.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sábado, dia 29 de Março de 2008.
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Mar 09

Já disse antes que gosto muito de música. Por isso é meio estranho que tenha levado tanto tempo para aparecer uma resenha sobre o assunto. Deve ser porque é realmente complicado escrever sobre o que se gosta. Não que eu desgoste dos outros temas que tratei, mas é diferente. Então, para iniciar, escolhi um artista de quem sou realmente fã, o que torna todo o processo ligeiramente mais complicado para mim, mas espero ter produzido um texto de qualidade.

Antes de realmente iniciar, permita-me apenas um aviso ao senhor(a) leitor(a): assistir os vídeos faz parte do entendimento do artigo, então tome um pouco de tempo para apreciar tudo deste texto. Vai valer a pena, prometo. Agora, chega de introdução, vamos aos fatos.

Um pouco de história: vejo que agora o caminho para o sucesso na carreira musical inicia na gravação de algumas canções em um estúdio caseiro, cada vez mais comuns em tempos de revolução digital. Depois esses takes são divulgados na internet até que alguma gravadora ou selo se interessa pelo artista e termina de produzi-lo.

Não foi assim o início da carreira do John. Ele foi para uma escola de música, depois saiu dela, porque tocar era mais interessante do que ficar estudando como tocar. Seguindo essa lógica, ele foi fazer shows. Na minha opinião, esse é o jeito certo, mostrar serviço e aperfeiçoar a habilidade, apresentando-se onde fosse possível. Nessa época, ele fez mini-turnês de um fim de semana, quando havia uma gig em uma cidade vizinha. Só assim o sucesso tem valor, quando foi conquistado com trabalho.

Essa é uma apresentação do início da carreira do John, em 2001. Repare que ele ainda não era uma estrela, tanto que as pessoas no bar ficam conversando durante a música.

Nesse outro vídeo, ele está divulgando seu álbum em uma loja de discos. A introdução é Pop, do ‘N Sync.

Até hoje, mesmo já sendo um artista de sucesso, ele ainda faz apresentações intimistas desse tipo, esporadicamente. É muito difícil fazer shows assim. Exige muito da pessoa, porque não há suporte nenhum, ela fica completamente despida de recursos. Não há como esconder um erro, ou, em última instância, a falta de talento.

Aliás, talento o John tem de sobra. Além das letras sensacionais, ele é um dos melhores guitarristas que já ouvi tocar. Aprendi, vendo ele, uma técnica que normalmente não se ensina nas aulas de instrumentos: colocar o polegar por cima do braço da guitarra para pressionar a sexta corda. Pode parecer tolice, mas algumas músicas são impossíveis de executar de outra forma.

Depois vim a descobrir que ele não foi a primeira pessoa a usar essa técnica, pelo contrário, ela até é bem comum no meio do blues. Mesmo assim, vale a referência. Se você ainda não conseguiu entender direito do que estou falando, veja essa apresentação de Neon, a mesma canção do primeiro vídeo. Nela, o enquadramento ajuda a mostrar a técnica do polegar. Esta é a canção mais difícil de tocar que já vi na vida.

De uma forma geral, ouvir a guitarra do John fez eu ter de reaprender o instrumento. Além da técnica do polegar, há algumas coisas que nunca tinha visto serem feitas. Em uma canção, por exemplo, ele inventou uma afinação completamente diferente de todas que existem. Quem ouve não percebe, mas quem tenta tocar não consegue se não souber desse segredo.

Mas sigamos, porque ele não ficou a carreira inteira no underground. Para o disco Room for Squares, ele gravou a canção Your Body is a Wonderland. Essa música estourou, com isso, ele ficou famoso nos EUA. Aqui no Brasil, ele ainda é pouco conhecido, mesmo assim, já ouvi mais de uma vez suas músicas no rádio.

Foi com essa canção que ele ganhou seu primeiro Grammy. Então acho importante colocar ela aqui, mesmo sendo o tipo de pessoa que costuma pular as músicas que mais fizeram sucesso:

No disco seguinte, Heavier Things, mais um arrasa-quarteirão: Daughters.

Nesse disco, há uma canção que chegou a tocar um pouco no Brasil, se chama Bigger than my body. Porque, segundo descobri depois, fez parte da trilha sonora de Celebridades, a novela. Não é ótima referência, mas faz parte.

Depois da turnê desse disco, John voltou às raízes do blues. Ele tem reconhecimento nesse meio, tanto que já foi chamado várias vezes para o festival Crossroads, promovido pelo Eric Clapton. Para realizar um desejo antigo, formou um trio que gravou um disco ao vivo e excursionou por um verão inteiro. Chamado John Mayer Trio, esteve com John o baixista da formação moderna do Who, Pino Palladino, e o ex-baterista do Eric Clapton, Steve Jordan.

O disco gravado pelo trio, Try, mostra que é possível fazer um som incrível mesmo com uma formação pequena. Essa nova estética minimalista influenciou o disco de estúdio seguinte do John, Continuum. Tornou-o mais simples e inteligível, sem essa experiência, talvez ele tive seguido um caminho diferente, fazendo músicas menos cruas, e portanto, diretas.

Agora, ele está trabalhando em um disco novo, sem data prevista de lançamento. O que é ótimo, porque significa que ele terá tempo de trabalhar até ficar satisfeito com o material. Deixando, assim, os fãs felizes também.

Para terminar, vamos às atividades extra curriculares. Ele já teve um programa de tevê, em que fazia sketches de humor. Depois de algum tempo, ele admitiu que foi um erro, mas eu vi alguns quadros no YouTube e gostei. Além disso, já escreveu uma coluna em uma revista de guitarristas com pequenas lições sobre o instrumento. Mantém um blog. Participou de keynotes do Steve Jobs. Fez trilha sonora de alguns filmes e uma participação especial em CSI (cantando, não atuando).

Enfim, é um artista completo. Se você não conhece, pode ir atrás. Cada minuto gravado pelo John Mayer vale a pena.

Escrito por Leandro Facchinetti, com correções de Vanderlei Facchinetti, e publicado Domingo, dia 9 de Março de 2008.
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Fev 14

Esta lista tem cara de meme, mas não é, até onde sei. Mesmo assim, se alguém gostar da idéia que quiser aproveitar a pauta, vá em frente, e mande um trackback.

Apesar de gostar muito de música, tenho ouvidos críticos. Isso, na maior parte da vezes, impede que eu realmente sinta a canção, fico preocupado analisando tecnicamente e dissecando a arte. Mesmo entre as músicas que gosto, são poucas que exercem comigo sua função de emocionar o ouvinte.

Ainda assim, algumas conseguem. A sensação que tenho quando as ouço é física, instintiva, e eu adoro isso. Se você foi um leitor atento, perceberá um padrão. A maior parte dessas canções tem um formato que poderia ser comparado a uma parábola com concavidade para baixo. Começam tranqüilas, no meio são fortes e depois voltam a ficar calmas. É um modelo manjado, eu sei, mas funciona comigo. Dizem que a razão para esse modelo ser bom é ele ser semelhante ao ritmo de uma cópula: inicia com as preliminares, depois vem o frenesi orgástico, e então o relaxamento. Vai ver estão certos.

  • The Blower’s Daughter, do Damien Rice: conheci vendo o filme Closer, perto demais. Não entendo o que todo mundo viu de bom nesse filme, a única coisa que me agradou foi a referida música, mas só por isso já valeu, e até hoje é a única canção do Damien que conheço. Não julgue pela versão da Ana Carolina com o Seu Jorge, É isso aí, a original é infinitamente melhor. Aliás não entendo porque eles foram estragar o disco, que é bom, com essa versão piorada de The Blower’s Daughter. Toda tentativa de traduzir música estrangeira é um fracasso, exceto no caso da Jovem Guarda, mas parece que os artistas não aprendem isso nunca.
  • Creep e Fake plastic Trees, do Radiohead: foi difícil escolher uma única canção do Radiohead, até porque eles são mestres no formato de música que descrevi na introdução. Creep é um hino para o loser mais loser que o loser, que ama a(o) garota(o) mais que a si mesmo. E para piorar o objeto da atenção sempre é um(a) desatento(a), que não dá a devida atenção, senão por maldade, simplesmente por não ter notado que é alvo de adoração. Triste até não poder mais, e, sim, brega no último, e isso é parte do que me atrai.
    Quanto à Fake Plastic Trees, quem ouviu aquilo e não se arrepiou que procure um médico. Isso sem falar nos clipes, quando se trata de Radiohead, pode esperar uma obra de arte a cada vídeo.
  • What a Wonderful World, do Louis Armstrong: talvez a melhor música já escrita, segundo eu mesmo. <brincadeira>É tão boa que nem o Joey Ramone conseguiu estragar.</brincadeira> Talvez seja o contraste da suavidade da melodia com a voz do Armstrong, talvez a magnitude do tema tratado na letra, não sei o que faz eu gostar tanto dessa canção. De repente não saber o motivo seja justamente o que me agrada, até porque tecnicamente ela é simples. Mais uma prova de que a real genialidade está em descomplicar as coisas.
  • Meu aniversário/Relicário, do Nando Reis: não são apenas as canções, mas o medley que o Nando fez com elas no MTV Ao vivo. Ele canta só a primeira estrofe e o refrão de Meu aniversário, e emenda com Relicário, é sublime. Ajuda o fato de esta última ser muito agregada à imagem da Cássia Eller, com quem ele dividiu os vocais na gravação que eternizou a canção.
  • Fix You, do Colplay: novamente, uma banda que abusa do formato fraco-forte-fraco. Escolhi Fix You, especificamente, por causa do clipe. Quando ele sai da rua escura e entra no palco, com uma platéia enorme, e a canção fica mais forte, é impossível não se abalar. Mas essa não é a melhor música deles, nem a melhor desse disco. A verdade é todas são as melhores músicas deles, os caras são bons no que fazem.
  • Beautiful Day, do U2: a guitarra do The Edge transforma até Parabéns para Você em um clássico. É incrível o que ele consegue fazer com aqueles efeitos todos, praticamente inimitável. U2 é A banda para levar a uma ilha deserta, até porque eles devem ter um jatinho para tirar você de lá :D.
  • Bittersweet Symphony, do The Verve: essa canção foi um sucesso tão grande, na época, que fez a banda acabar. Eles voltaram há pouco tempo. Realmente, superar Bittersweet Symphony não deve ser fácil, trata-se do teminha repetitivo mais pegajoso da década de 90. Até em comercial de banco ela funciona, comigo. É a música que me faz pensar que o pop ainda tem salvação. E não venha me contrariar, porque britpop é pop, ponto final.
  • “Índios”, da Legião Urbana: só um fã de verdade para se importar em saber que o nome dessa música deve levar as aspas. A Legião foi a primeira banda de que eu gostei, até hoje acredito que seja uma das melhores coisas que já passaram pelo rock. Há milhares de interpretações diferentes para o que ele quis dizer nessa letra, mas ela é tão perfeita, que deve-se apenas contemplar e invejar o talento do Renato. Sem falar no tema que, apesar de ser fácil de executar no teclado, fica muito difícil quando transposto para o violão, e no acústico, o Dado tocou ele sem erros.
    Outra curiosidade é que ninguém sabe como cantar essa canção. Todo mundo começa com “quem me dera ao menos uma vez”, e espera ele cantar o que vem a seguir para acompanhar, porque é simplesmente impossível lembrar!
  • Sentimental, dos Los Hermanos: ouvidos atentos percebem uma semelhança com Creep. Realmente, as músicas são idênticas. Essa manção merece a menção por causa do dvd Ao vivo no Cine Íris, no interlúdio instrumental há um close no rosto do Amarante e vê-se a olhos nus que aquilo no palco realmente é sincero. Não é à toa que eles deixaram uma legião de órfãos, apesar da Desciclopédia discordar, todos os discos deles podem ser ouvidos à exaustão sem sinal de tédio.
  • Stop This Train, do John Mayer: o John Mayer merece um post inteiro. Essa música é sobre aquela sensação de que o mundo está correndo rápido demais, e tudo que você quer fazer é descer e pegar suas coisas de volta. Mas não é possível, você tem que continuar andando, porque é isso que as pessoas fazem.
    Se você apenas ler minha descrição pode pensar que se trata de uma canção triste, mas não é, ela é contemplativa, ouça que você entenderá.
  • Todas elas juntas num só ser, do Lenine: demorei um tempo para pegar todas as referências dessa letra. Para você ter uma idéia, foram quatro meses de trabalho para escrevê-la. Não sei como ele decorou tudo para cantar ao vivo, além de ser dificílima de executar. É uma declaração de amor cheia de conteúdo, muito mais interessante que um I love you. Se você quer conhecer alguma música do Lenine, que seja essa.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quinta-feira, dia 14 de Fevereiro de 2008.

Fev 08

Além de escrever um blog e estudar ciências da computação, também sou músico. Toco violão, guitarra, baixo, teclado e canto, juro, posso provar. Gosto muito de fazer isso, e me orgulho da música que consigo fazer. Mesmo assim, odeio tocar em público. Não é vergonha, nem falta de auto-confiança, sempre fico com a sensação de que as pessoas não sabem dar o valor que o som merece, além de achar que poderia estar tocando melhor. Parecem sensações imcompatíveis, mas para mim não são.

Lembro de ter ficado muito incomodado quando, enquanto estava tocando, as pessoas conversavam. Como ousavam elas, não prestar atenção em mim, e ainda interferir no som com suas vozes. Lógico que quem quer ser músico deve tolerar isso, e por isso decidi levar a música como hobbie.

Então acabei por me deparar com a síndrome do músico amador. Quando jovem, o músico tem tempo e disposição para tocar. Ele provavelmente acabou de conhecer esse universo e ainda está encantado com a infinitude de possibilidades que a música proporciona. É uma liberdade criativa realmente incrível.

O problema é a falta de equipamentos. Eles são caros, e exceto no caso de alguém lhes presentear, inacessíveis. Graças aos meus pais, sempre tive os instrumentos que quis, mas nem todos têm essa sorte. E mesmo no meu caso, é natural estar constantemente desejando algum item novo.

O paradoxo que realmente torna essa narrativa interessante, é o que vem a seguir. Com o tempo, o músico amador vai conseguindo os equipamentos. Mas lhe falta o tempo para usufruir deles. O trabalho lhe ocupa, e mesmo quando há folga, por vezes falta disposição, tão cansado que está.

O mesmo fenômeno, acontece nos blogs, pelo que percebo. Quando o jovem blogueiro tem tempo para escrever, falta-lhe assunto, porque não viveu o necessário para tornar o texto interessante. Já quando os temas surgem, isso necessariamente significa que o tempo para blogar diminuiu.

Uma saída possível é fazer um blog que fale de blogs, e eu faço muito disso. Mas essa retroalimentação não pode ser eterna, porque não seria saudável. Para sustentar a idéia, evoco uma referência que me compromete. É sim, uma série de garotas, confesso que comecei a assistir por recomendação de uma garota. Mas é bom, e eu gosto.

Enfim, estou falando de um episódio de Dawson’s Creek em que o Dawson conhece uma outra cineasta e, depois de uma pequena conversa, ela o decifra e pergunta se seu quarto tem as paredes cobertas de posteres dos filmes do Spielberg. Ele diz que sim e questiona se não é normal um aspirante a diretor de cinema gostar de filmes. Ao que recebe a resposta de que, dessa forma, tudo que ele conseguiria fazer é um filme sobre outros filmes. Realmente, pouco tentador.

Perceba como a vida consegue ser delicadamente cruel. A satisfação nunca é plena, por isso o ideal de perfeição é absurdo e inatingível. Mas isso não significa que estamos fadados a viver uma vida miserável. Pelo contrário, é possível ser feliz, só é impossível querer tudo.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sexta-feira, dia 8 de Fevereiro de 2008.
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