Mar 20

Mais uma vez, vou apelar para a metalinguagem. Pode ser útil para quem pretende desevolver desenvolver qualquer atividade ligada à criatividade, nesse caso, escrever um blog. Se não for, serve apenas como um manifesto, para eu ler daqui algum tempo e refletir.

Quando iniciei este blog, eu me enchi de referências e dei vazão a minha vontade de escrever. Isso funcionou bem para os primeiros textos, mas agora já chegou a hora de desenvolver um estilo próprio. É muito complicado partir do que já é conhecido para criar algo novo e autêntico. Exige muita dedicação e, ainda assim, não há garantia alguma de sucesso.

Nessa hora, trabalhar exclusivamente com material pessoal complica ainda mais a situação. Não há parâmetro nenhum para me guiar, o que é libertador, é verdade, mas desafiador também. Minha primeira ação foi definir melhor meu público. Em vez de atirar para todos os lados, focar em determinados formatos parece ser uma abordagem interessante.

Não me limitei nos assuntos, até porque essas decisões são para auxiliar, não para diminuir as possibilidades, e conseqüentemente, a diversão. Foi apenas um caminho natural que me levou a direcionar em um tipo de leitor. Mas nessa empreitada em me definir como blogueiro, agora percebo, arruinei meu humor. E a isso que se refere a sabotagem no título.

Sei que meus textos mais recentes não estão mal escritos. Mas estou longe de ficar satisfeito com eles. Parece tudo muito lúcido, mas sem graça, além de que estou usando um vocabulário rebuscado demais. Não adianta explorar decentemente um assunto e ter como resultado um artigo pouco atraente. Especialmente porque quero cumprir um objetivo: ser lido pela maior quantidade possível de pessoas.

Aparentemente, meu gosto pelas técnicas de apresentação de idéias jogou contra mim mesmo. Mas não quero falar com as paredes, então, a partir de agora, minha missão é simplificar o que faço. De fato, acredito cada vez mais naquela frase que define escrever não como juntar palavras, mas cortá-las.

Ser simples é muito difícil, mas vale a pena o esforço. Os Titãs conseguiram passar sua mensagem para um público maior que o Caetano, não há o que discutir, e eles não precisaram nivelar por baixo para isso. Esse é meu novo ideal de excelência.

Tenho medo de me enquadrar naquela parcela de blogs que faz parte da blogosfera intelectual. Não vou deixar de me preocupar em melhorar a escrita, mas não colocarei isso acima do senso de humor, que é a mais nobre manifestação de inteligência. Esses meus últimos posts vão ficar lá para me lembrar disso.

Escrito por Leandro Facchinetti, com correções de Vanderlei Facchinetti, e publicado Quinta-feira, dia 20 de Março de 2008.
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Mar 05

Faz algum tempo desde a última vez que publiquei um texto aqui. Talvez vocês tenham pensado que desanimei, ou que morri, opção para os trágicos. Na verdade o lapso se deve à mudança de casa. Fiquei sem internet por mais de uma semana, uma experiência mais difícil do que pensei que seria. Vale dizer que, durante esse intervalo, eu não escrevi nada. Agora considero isso um erro, mesmo que não pudesse publicar, deveria manter a prática. Estou enferrujado, levando muito mais tempo para formular o texto, e chegando em um resultado que fica aquém das minhas expectativas. Todos que trabalham com a criatividade dizem que é assim, mas eu não dei ouvidos, tipo de coisa que só se aprende com a experiência negativa.

E o leitor pensa: “Perdeu preibói, não quero desculpas. Deu uma parada de escrever -’Ema, ema, ema cada um com seus problema’”. Sim, é verdade, mas acho que devia uma satisfação, até para não ficar a sensação de que acontecerá com freqüência.

Nesses dias de exílio, liguei a tevê. A aberta, porque se não tinha internet, não tinha tevê à cabo. Eis que vejo um desses programas vespertinos popularescos com a seguinte proposta: a mulher leva o marido ao programa (talvez haja dias em que façam o oposto, não sei), então a apresentadora pergunta algumas coisas pessoais, principalmente sobre o relacionamento. Enquanto responde, o sujeito é avaliado por um polígrafo, que diz se ele está falando a verdade ou mentindo.

Logicamente, não é simples e direto assim. Ficam naquele clima de suspense para manter certo mistério, e o ibope, por horas. Grande cafajestagem, é verdade, mas lembre-se de que não estão mirando nas classes do início do alfabeto. E, mesmo para quem não gosta, às vezes é tão atraente que pode manter a pessoa assistindo, já aconteceu comigo.

Pessoas com um senso crítico pouco mais apurado, apenas um pouco mesmo, percebem que é falso. É forçado demais, nota-se uma (má) atuação por parte dos participantes. De forma que não é preciso muito para chegar a mesma conclusão que eu.

Mas seria muito amadorismo da minha parte escrever um texto sobre o óbvio, repetindo o que todos já sabem. Não acrescentaria em nada, então, onde quero chegar com isso?, você talvez pergunte. Meu objetivo é uma reflexão que tive quando dei o benefício da dúvida ao programa e, considerando que fosse real, cheguei a conclusão de que não aconteceria isso com um casal saudável. Talvez esteja completamente enganado, mas acompanhe meu raciocínio.

Para iniciar, é importante deixar claro o motivo que levaria o casal ao programa. Eles estão com dificuldades no relacionamento, e querem resolver. O objetivo é a reconciliação, e supostamente os cônjuges acreditam que haja conserto. De outra forma seria perda de tempo investir no que já não há mais.

Mas o relacionamento já acabou se a sinceridade da outra parte do casal precisa ser questionada, a ponto de cogitarem ir em rede nacional para ser testados por uma máquina que arrancaria confidências. Não quero dizer que o amor não deva resistir às dúvidas, mas a honestidade é o pilar principal que sustenta qualquer relação. Se ela ruiu, por mais doloroso que seja, é preciso admitir: o amor acabou. O amor acaba, não ensinam isso na escola mas é verdade. O amor acaba.

Resta apenas uma alternativa para defender a idoneidade do programa. O casal não percebe a importância da sinceridade da mesma forma que eu. Seria plausível, mas acredito que qualquer mente sensata acaba chegando a essa conclusão. Exceto se ela for tomada pelos ciúmes. Mas, nesse caso, uma máquina atestando a veracidade de uma declaração não seria suficiente para calar aquela voz que vem do fundo da mente. O ciumento perde o controle das faculdades mentais, então nenhuma prova bastaria, de forma que ir no programa seria irrelevante.

Do jeito que escrevo, pode dar a impressão errada de que mentir num relacionamento é errado sempre. Logicamente não sou tão categórico, mas há algumas perguntas que não devem ser feitas. Deveria saber-se a resposta, simplesmente questionar seria atestado de óbito da relação. Pensar que o outro pode estar mentindo é sinal de que não o conhece mais, sintoma de que tudo já acabou.

O pensamento que expressei pode parecer melancólico, o que levantaria a dúvida de ter sido escrito por alguém de coração partido. Não é o caso, e mesmo que fosse, vejo beleza indescritível nessa efemeridade das relações. Não que ter essa consciência em mente seja capaz de anestesiar, mas ajuda.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quarta-feira, dia 5 de Março de 2008.
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Fev 13

Leandro já voltou para casa. Encontrei abrigo na nova cidade, fiz a matrícula. Sim, fui pintado de guache e cortaram meu cabelo. Virei bixo.

As próximas semanas serão um pouco turbulentas, não sei como estará minha conexão com a internet, nem se estarei com o computador montado, alive and kicking. Por isso posso não conseguir cumprir minha freqüência de postagens. Mas em breve tudo se normalizará e voltaremos à programação normal.

Falei de três textos entre meus rascunhos que, segundo eu mesmo, prometiam ser bons. Um deles eu terminei e publiquei, foi um dos artigos que mais gostei, entre todos e escrevi. Os outros ainda estão em fase de desenvolvimento e virão ao ar em breve.

Além disso muita coisa ainda vem por aí. Vocês verão.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quarta-feira, dia 13 de Fevereiro de 2008.

Fev 08

Além de escrever um blog e estudar ciências da computação, também sou músico. Toco violão, guitarra, baixo, teclado e canto, juro, posso provar. Gosto muito de fazer isso, e me orgulho da música que consigo fazer. Mesmo assim, odeio tocar em público. Não é vergonha, nem falta de auto-confiança, sempre fico com a sensação de que as pessoas não sabem dar o valor que o som merece, além de achar que poderia estar tocando melhor. Parecem sensações imcompatíveis, mas para mim não são.

Lembro de ter ficado muito incomodado quando, enquanto estava tocando, as pessoas conversavam. Como ousavam elas, não prestar atenção em mim, e ainda interferir no som com suas vozes. Lógico que quem quer ser músico deve tolerar isso, e por isso decidi levar a música como hobbie.

Então acabei por me deparar com a síndrome do músico amador. Quando jovem, o músico tem tempo e disposição para tocar. Ele provavelmente acabou de conhecer esse universo e ainda está encantado com a infinitude de possibilidades que a música proporciona. É uma liberdade criativa realmente incrível.

O problema é a falta de equipamentos. Eles são caros, e exceto no caso de alguém lhes presentear, inacessíveis. Graças aos meus pais, sempre tive os instrumentos que quis, mas nem todos têm essa sorte. E mesmo no meu caso, é natural estar constantemente desejando algum item novo.

O paradoxo que realmente torna essa narrativa interessante, é o que vem a seguir. Com o tempo, o músico amador vai conseguindo os equipamentos. Mas lhe falta o tempo para usufruir deles. O trabalho lhe ocupa, e mesmo quando há folga, por vezes falta disposição, tão cansado que está.

O mesmo fenômeno, acontece nos blogs, pelo que percebo. Quando o jovem blogueiro tem tempo para escrever, falta-lhe assunto, porque não viveu o necessário para tornar o texto interessante. Já quando os temas surgem, isso necessariamente significa que o tempo para blogar diminuiu.

Uma saída possível é fazer um blog que fale de blogs, e eu faço muito disso. Mas essa retroalimentação não pode ser eterna, porque não seria saudável. Para sustentar a idéia, evoco uma referência que me compromete. É sim, uma série de garotas, confesso que comecei a assistir por recomendação de uma garota. Mas é bom, e eu gosto.

Enfim, estou falando de um episódio de Dawson’s Creek em que o Dawson conhece uma outra cineasta e, depois de uma pequena conversa, ela o decifra e pergunta se seu quarto tem as paredes cobertas de posteres dos filmes do Spielberg. Ele diz que sim e questiona se não é normal um aspirante a diretor de cinema gostar de filmes. Ao que recebe a resposta de que, dessa forma, tudo que ele conseguiria fazer é um filme sobre outros filmes. Realmente, pouco tentador.

Perceba como a vida consegue ser delicadamente cruel. A satisfação nunca é plena, por isso o ideal de perfeição é absurdo e inatingível. Mas isso não significa que estamos fadados a viver uma vida miserável. Pelo contrário, é possível ser feliz, só é impossível querer tudo.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sexta-feira, dia 8 de Fevereiro de 2008.
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Fev 06

Quebro meu ritmo de um texto diário para avisar os estimados leitores deste blog que nos próximos dias as publicações poderão ser mais espaçadas. E por um ótimo motivo, vejam bem: EU PASSEI NA USP. Sim, acabei de me denunciar um adolescente de marca maior, mas se você lê mesmo o blog, já deve ter percebido isso. Entrei na faculdade que eu queria, e isso acarretará uma mudança de ambiente.

Como vocês talvez saibam, resido em Florianópolis, e vocês com certeza sabem que não há campus da USP em Florianópolis. Por isso vou para São Carlos, no interior de São Paulo. Vou viajar para fazer a inscrição e arrumar abrigo, por isso não poderei escrever por uns dias.

Mas vocês não perdem por esperar, estou com rascunhos que julgo serem muito bons quase prontos. Três textos em especial prometem. Aguardem um retorno triunfal.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quarta-feira, dia 6 de Fevereiro de 2008.
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Fev 06

O conteúdo deste texto remete a um meme que correu na época do Blog Day. Mas é ligeiramente diferente, a proposta aqui não é simplismente recomendar blogs, e sim listar os blogs ou blogueiros que são referências para mim.

Escrevi este artigo, senão por não outro motivo, como forma de agradecimento aos blogs que, para mim, são dignos de um link love. Porque se os que ocupam esta lista não existissem, talvez esse blog jamais tivesse visto a luz.

  • MeioBit: Há muito tempo, fiz uma busca no Google e ela me levou ao MeioBit. Não lembro mais o que eu procurava, mas lembro que gostei do artigo encontrado. Por isso, mesmo não voltando regularmente ao site depois disso, seu nome ficou gravado na memória.
    Quando fiquei com vontade de ler blogs, este foi o primeiro que entrei, coloquei ele nos favoritos e acessava todos os dias. Mas fazer isso é pouco prático, então depois resolvi usar RSS, e esse foi o primeiro feed a entrar no meu agregador.
    Ele nunca mais saiu de lá, e até hoje é um dos meus blogs favoritos. Recentemente fiz uma conta para poder comentar, as conversas nos comentários são sempre muito boas. Formou-se uma comunidade de pessoas interessantes e isso é raro de encontrar.
  • Carlos Cardoso: Conheci por ele escrever para o MeioBit, entrei nos seus outros sites, e, primeiramente, fiquei admirado com a qualidade dos textos. Eu já sabia que um blog podia ser mais que um diário virtual, mas ler o Cardoso foi determinante. Se não tivesse encontrado vida inteligente do outro lado do monitor, talvez tivesse desistido de acompanhar blogs.
    Ele causa alguma polêmica, às vezes, especialmente porque é contundente quando ataca seus interlocutores em uma discussão. Mas essa capacidade de gerar discórdia, com conteúdo e argumentação de alto nível, é algo de se admirar.
  • Fabiane Lima: Também é escritora do MeioBit, e por algum tempo foi Padawan do Cardoso (está começando a ver um padrão?). Disse por algum tempo, porque acho que essa fase já passou, os textos dela só podem se comparar aos dele se for pela qualidade, uma vez que ela tem estilo próprio.
    Desde o primeiro comentário que fiz em seu blog, ela foi simpática em responder. Talvez por isso ela tenha sido a primeira blogueira de quem sou fã que tomei a inciativa de conversar via IM. Qual não foi minha surpresa quando me disse que assinava o feed do meu blog. Confesso que isso me deixou muito feliz, e até um pouco envaidecido.
  • Mirian Bottan: Ela é uma cronista de mão cheia, dessas que não se encontra todos os dias. Quando descobri seu blog, o Substantivolátil, fui nos arquivos e li tudo, poucas vezes um blog me fisgou desse jeito. Alguns textos podem soar diarinho, a primeira vista, mas estão longe de ser vazios, e são verdadeiramente engraçados.
    Semana passada, ela convidou a irmã, Maira, que tem a mesma idade que eu, 17, para escrever também. Prova-se que a habilidade para escrita está nos genes, as duas tem dinâmica parecida, então a identificação foi imediada.

Vou me conter na babação de ovo. Mas se você estiver interessado em saber tudo o que leio, veja meu blogroll, ele foi feito com o OPML do agregador que uso. Certamente são blogs ótimos, e todos me influenciaram de uma forma ou de outra.

Além disso, seleciono os melhores textos. Eles aparecem no quadro Textos de outros blogs e aqui, ou neste feed.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quarta-feira, dia 6 de Fevereiro de 2008.
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Fev 04

Antes de criar este blog, passei algum tempo ruminando a idéia e pensando como seria. Mais do que não ter confiança plena na minha própria capacidade de escrever textos de qualidade, acreditava que teria dificuldade em encontrar pautas que valessem a pena e o tempo necessário para desenvolvê-las. Cheguei mais de uma vez a criar um blog no Wordpress.com, e depois excluir, sem escrever uma palavra.

Para conseguir realizar minha vontade, foi preciso criar um compromisso. Mas não comigo mesmo, porque eu poderia facilmente me sabotar. Escrevi um texto inaugural e marquei uma data para estréia do blog, depois divulguei o endereço para algumas pessoas. Dessa forma, se eu desistisse e abandonasse, haveria uma cobrança, ou pelo menos assim eu pensei. Ter essa consciência seria o suficiente para que eu desse um jeito de escrever.

Depois de um tempo, percebi que meus receios eram uma grande bobagem. Quando eu me impus a meta de escrever um texto por dia, foi mais fácil do que eu imaginava que seria. As pautas começaram a pipocar na minha mente. Hoje tenho uma dúzia de textos iniciados, e novos surgem com freqüência. Ainda que nem sempre eu tenha tempo de explorá-los como acho que merecem.

Confesso que existem vazios criativos, há momentos em que nada parece ser bom o suficiente, a ponto de eu ficar com medo da folha em branco. Mas certos espasmos esporádicos suprem essa falta, rendendo material suficiente para dias. E esses “brancos” são necessários, porque neles tenho a oportunidade de trabalhar, desenvolver e refinar as idéias. É preciso um tempo para aprofundar os temas, afinal ninguém vive de epifanias.

Ainda não sei se esse blog fará sucesso. Não sei se ele me trará fama, fortuna e mulheres, que seu objetivo, no fim das contas :D. Mas, enquanto o convite para a Ilha de Caras não chega, vou me divertindo em fazê-lo, e é isso que realmente importa.

O que se conclui dessa história é mais uma daquelas constatações mais fáceis de falar do que fazer, mas que são boas de ouvir de vez em quando: não perca tempo duvidando da sua própria capacidade, simplesmente tente. Suas chances de ter sucesso aumentam, já você sai na frente dos outros e ganha tempo.

Não estou falando para pular a etapa da preparação. Mas em alguns casos, um pouco de ousadia é fundamental, porque depois que a hora passar, só restará o arrependimento do que deixou de ser feito.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Segunda-feira, dia 4 de Fevereiro de 2008.
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Jan 31

Não sou o tipo de pessoa que aprecia paisagens. Não consigo ver nada de realmente apreciável na visão de uma praia ao pôr-do-sol, ou de uma cachoeira correndo entre as pedras, que dirá de uma cadeia de montanhas.

Entretanto, em toda minha insensibilidade, tenho que admitir, há uma vista que me desarmou, por ser incrivelmente bela. Veja se você consegue formar a imagem com minha descrição: dia relativamente nublado; claras cumulonimbus, não  tenebrosas nimbostratus; alvorada; primeiro vôo da manhã. Sim, é o sol nascendo visto por cima das nuvens.

Essa paisagem me ganhou. Então pensei “deve ser bom trabalhar como piloto de avião, assim você pode ver isso com freqüência”. Mas refletindo um pouco mais sobre isso, cheguei a conclusão de que estava errado. Se eu tivesse contato com essa vista muitas vezes, ela deixaria de me parecer encantadora. É impossível não se anestesiar, após a exposição contínua.

O mesmo acontece com as notícias que chegam todos os dias. Verdadeiras tragédias, mas depois de um tempo deixamos de nos sensibilizar. O que é natural, caso contrário seria horrível, viveríamos com os nervos à flor da pele. Estaríamos sempre aos prantos, ninguém quer isso.

Enfim, meu objetivo nesse texto é mostrar que pode não ser uma boa idéia viver daquilo que você gosta de fazer. Não estou defendendo que seja certo desgostar do trabalho. Até porque um profissional frustrado dificilmente será bem sucedido, em todos os significados que a palavra sucesso pode ter.

Minha idéia é outra, algumas vezes pode ser melhor simplesmente apreciar a atividade, ou exercê-la como hobbie. É o que estou fazendo com o blog. Por mais que eu goste de escrever, não estou vivendo disso, então posso me dar ao luxo de não ter um anúncio sequer. O que não seria demérito, lógico, afinal ganhar dinheiro em cima de um conteúdo de qualidade é uma honra.

Também não preciso me importar se o blog está sendo visitado por milhões ou uma única pessoa. Não se engane, eu ligo para isso, mas é muito mais uma questão de ego do que de necessidade.

A vantagem disso é que minha liberdade é completa. Censura prévia não existe mais (mentira, mas vamos fingir que não exista mesmo), no entanto às vezes probloggers precisam escolher alguns temas em detrimento de outros, para garantir o rendimento.

O Cardoso anunciou que vai investir mais em projetos para as classes baixas. E ele está certo em fazer isso, é preciso ir onde o dinheiro se encontra. Não acredito que deixe de ser divertido trabalhar assim, mas duvido que seja mais prazeroso que escrever sobre o que quiser.

Na verdade eu nunca fiz essa experiência. Então posso estar errado, e eventualmente ter a pauta definida pelo business seja interessante. Mas acho que não vou querer descobrir isso. Pelo menos por enquanto.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quinta-feira, dia 31 de Janeiro de 2008.
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Jan 29

Este blog é fruto de uma tendência. Junto com ele nascem milhares de outros, todos os dias. Os números relacionados à quantidade de blogs novos são astronômicos. Todos têm um objetivo em comum, ficar conhecido, afinal ninguém gosta de ficar falando sozinho.

É notório, entretanto, que a maior parte fracassará. De todo o conteúdo produzido, 90% é lixo, está destinado à mediocridade. Dessa forma, não posso deixar de questionar, o que faz de um blog, ou qualquer outra manifestação, um sucesso?

Certamente a resposta a essa pergunta é uma série de fatores, e a relação entre eles é igualmente complexa. Então, excluindo o que está fora do meu alcance, como a sorte, vou analisar como posso contribuir para que minha iniciativa seja bem sucedida. Naturalmente não se aplica apenas ao blog, uma vez que são conceitos genéricos.

Inicialmente, é importante conhecer o ofício. Eu não poderia ser um blogueiro sem conhecer o que é trackback, como usar o Wordpress, fazer um mapa do site para ser indexado, comentar em outros blogs, obedecer a netiqueta… Percebo que muitos começam a escrever mas cometem erros básicos, como não cuidar do feed. Problemas simples que poderiam ser evitados com um pouco de pesquisa prévia.

Com a base pronta, é preciso trabalhar. Sim, muito papo e pouca ação não me levaria a lugar nenhum. A melhor forma de aperfeiçoar o texto é escrevendo muito, trabalho braçal, mesmo. Por isso estou postando uma vez por dia e pretendo manter esse ritmo por um tempo.

Aqui entra um ítem importante, o talento. Por mais que eu escreva, se o conteúdo não for relevante, o blog não terá sucesso. Um monte de porcaria não vale mais que uma única pérola, e isso é muito cruel, porque todo o esforço pode não ser recompensado. É um investimento de tempo e boa vontade que pode render em nada, mas é um risco que decidir decidi correr.

A melhor mostra de talento, na minha opinião, é a contrução de uma identidade própria. Muito difícil isso, formar um estilo pessoal a partir da absorção das referências. Eu até poderia copiar os outros, mas então seria dispensável, meu valor não seria maior do que aqueles que copio. Ninguém quer isso para si.

Depois, julgo ser importante definir um tema, com o intuito de atingir um público alvo mais restrito. Especialmente quando se trata de um blog, que é uma mídia dirigida aos nichos. Estou me referindo a um tema que norteie a produção dos textos, não que restrinja a criatividade. É uma forma de focar no interlocutor, em vez de atirar para todos os lados, como, admito, estou fazendo. Uma hora trato com aqueles que estão programando em Flash, em outra com quem nem conhece o Firefox. É um ponto a ser trabalhado.

Por último, o mais importante, é fundamental gostar do que se faz. Especialmente no começo, quando essa é a única razão real de gratificação. Meu objetivo com o blog é conhecer pessoas e conversar, mas meus últimos artigos receberam poucos ou nenhum comentário. Se eu não gostasse de escrever desistiria.

Exemplos de como essa fórmula funciona são muitos, o Cansei de Ser Sexy, por exemplo, começou como diversão despretenciosa. Hoje é uma das maiores bandas brasileiras no cenário mundia mundial. Certamente é algo de se admirar.

E como não estou ganhando um tostão por tudo que estou fazendo, posso me dar ao luxo de experimentar. Brincar de blogar, até aprender como se faz. Estou me divertindo bastante até agora. Boa sorte para mim, então.

[update]
Agradecimentos ao Vanfloripa pelas correções ortográficas

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Terça-feira, dia 29 de Janeiro de 2008.
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Jan 28

Um tempo atrás passei alguns dias acompanhando vários noticiários televisivos. Não fazia isso desde que comecei a ler blogs. Não pude deixar de reparar como as notícias se repetem. As pautas são as mesmas, a abordagem é sempre semelhante, até porque o formato do jornal força uma linguagem específica.

Tenho a impressão de que a única redação de jornal que realmente trabalha é a do primeiro noticiário da manhã. As outras assitem e repetem. Crueldade da minha parte, eu sei.

Todos tentam passar uma imagem de imparcialidade. Falsa, porque como dizia minha professora de história “ninguém é neutro, nem xampu neutro é neutro de verdade”.

No pior dos casos o âncora faz um breve comentário ao final da reportagem. Acaba a matéria sobre o aumento de 500% na criminalidade, ele solta um “isso é uma vergonha!” com uma cara feia. E passa para a história seguinte, sobre o preço no material escolar na época de volta às aulas.

É justamente esse o maior atrativo dos blogs. Neles, se espera que a notícia venha acompanhada de opinião, afinal o texto foi escrito por pessoas para pessoas. O contato é imediato e direto, não há um jornal como mediador. E isso é fantástico, porque nos comentários pode surgir uma discussão que revela novos aspectos da questão. A manifestação de diferentes lados de forma verdadeiramente igualitária.

Assim, sendo parcial por excelência, os blogs são a ferramenta de comunicação mais imparcial já criada. Por isso posso ler várias vezes sobre o mesmo assunto sem me incomodar, ele não se esgota, cada novo texto terá algo de relevante a dizer. Isso vale muito mais que um “isso é uma vergonha!”.

Agora, nada contra o Boris Casoy.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Segunda-feira, dia 28 de Janeiro de 2008.
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