Como passar no vestibular João, Maria e o Zé
Abr 05

Todos sabemos que ocorrem muitos acidentes provocados por excesso de álcool. O otário se acha o super-homem e sai dirigindo bêbado para morrer, ou pior, matar. É um problema sério, para tentar amenizá-lo, entrou em vigor uma lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em estabelecimentos nas margens de rodovias federais.

Não vai funcionar.

Talvez contenha um pouco o número de acidentes, mas apenas por pouco tempo e longe do resultado esperado por quem defendeu a medida. Primeiro, porque eu conheço como funcionam essas coisas: não vai demorar para surgir um mercado negro de álcool nas rodovias. É impraticável controlar completamente o comércio ilegal, por maior que sejam os esforços nesse sentido. Então, mesmo proibida, qualquer tipo de droga pode ser facilmente comprada. Dessa forma, a restrição não é apenas ridícula, é perigosa: permite que surja e se fortaleça o crime organizado.

E vou ser justo, isso não é problema da mentalidade burra do brasileiro, faz parte da natureza humana. Nos Estados Unidos, nunca se consumiu tanta bebida alcoólica quanto na época da Lei Seca. A proibição parece ter efeito contrário do que se espera, torna o consumo ainda mais atraente. E de quebra contribuiu para a criação máfia.

No caso da lei que entrou em vigor, a situação é ainda mais imbecil. Como se, para evitar a caspa, o melhor fosse cortar a cabeça fora de uma vez. E meu ponto não é apenas a legalização das drogas, isso é só um aspecto da minha defesa: probições em geral são ridículas. É preciso evitá-las ao máximo, até o ponto em que se torna inevitável.

Pode me chamar de otimista, mas creio que a educação surta muito mais efeito que acabar com o direito das pessoas. Porque uma ação autoritária do Estado não tem poder se as pessoas não concordarem em segui-la. Ninguém com bom senso deixa de dirigir quando bebe porque é proibido, faz porque sabe do perigo que correria e em que colocaria as outras pessoas.

Assim, só faz sentido punir quem bebe e dirige, não a venda de bebidas em si. Pode parecer confuso, mas há um mundo de diferença. Enquanto a primeira ação diz respeito a quem faz uma grande besteira, a segunda pune igualmente a todos, como se ninguém tivesse consciência do que é certo e errado.

A autoridade, assim como o respeito, não se impõe. E nivelar todos por baixo é uma ótima forma de não conquistá-la. Ela só existe enquanto quem obedece concorda em se submeter às regras. Em último caso, porque há muito menos policiais do que civis. E as pessoas só estarão de acordo enquanto as leis não forem ridículas. Por isso, não posso condenar quem participará do comércio ilegal de bebidas que estou prevendo.

Mesmo assim, tento entender o lado do Estado. Eles têm de mostrar serviço, e essa foi a forma que encontraram. Pode ser burro, mas eu não esperava muito deles, desde o início. Quando se trata do governo, precio com moderação.

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Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sábado, dia 5 de Abril de 2008.
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Apenas um comentário no texto “Sobre a venda de bebidas na estrada”

  1. marcellus diz:

    Sabe o que eu acho mais idiota? Que quem faz/aprova esse tipo de lei sabe que não vai funcionar. Estão tampando o sol com uma peneira, como sempre!

    Se fosse algo assim: vc foi pego dirigindo bêbado, com teste do bafômetro e tudo. Vai lá e tira a carteira de motorista por um ano, por exemplo. Reincidente? Não pode dirigir nunca mais.

    Hj não adianta nem apelar pra multas: o dinheiro recebido (ou desviado!) não tem um destino decente…

    obs: E nem foi comentado o fato do cara já sair com a cerveja no carro; ou ainda, beber numa chácara e ter que pegar a estrada na volta… zilhões de alternativas que essa lei não interfere…

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