Não sou nenhum openxiita (nem poderia, estou escrevendo este texto no Word, seria um contrasenso), mas simpatizo com o modelo open source. Ele já é adotado em muitos projetos sérios, por empresas que não têm como objetivo defender a ideologia de conhecimento livre para todos, e sim ganhar dinheiro. O que eu vejo como uma prova de que o open source é um modelo de negócio viável e atraente. No entanto, por mais contraditório que possa parecer, a principal barreira que o impede de ganhar ainda mais mercado é justamente o fã que faz propaganda dele.
Não me refiro a qualquer divulgador, alguns são muito competentes e, nesse caso, a contribuição é muito valiosa. Estou falando daquele tipo de gente que lota as listas de discussão Mico$oft $ucks e se acha o máximo porque só usa softwares que o Stallman aprovaria. As atitudes dessas pessoas são contrapropaganda. Veja, por exemplo, o caso da Novell, que há algum tempo tornou a Microsoft sua parceira. Quando ouviram a notícia, muitos não tardaram a taxar a empresa de vendida, acusaram-na de ter se entregado ao lado azul da força.
O open source não precisa de defensores como esses, talvez seja melhor sem eles. Não é preciso muito para perceber que fazer parcerias é o único jeito de se manter no mercado, ainda mais em tempos de globalização. Se, mesmo assim, não parece uma boa idéia associar-se com algumas empresas, gosto de recordar uma frase que não lembro onde ouvi, mas acredito que possa ser atribuída à máfia italiana “mantenha seus amigos perto, e seus inimigos mais perto ainda”.
Aceitar as diferenças e se aproveitar delas é sinal de maturidade. Talvez falte um pouco disso nos fãs inconvenientes do open source, até porque boa parte deles não tem mais do que quatorze anos de idade. É uma pena que essas pessoas contaminem a imagem do modelo, porque ele não é acompanhado de uma ideologia, como eles querem que pareça.
Adam Werbach é um exemplo de como isso funciona no mundo real, e não é ligado ao open source, sequer à informática, mas ao ambientalismo. Por muito tempo Werbach fez o tipo ecochato, daqueles que fazem barulho e não são ouvidos. Até o dia em que foi trabalhar para o Wal-Mart, uma das companhias que mais polui no mundo.
Acredito que não tenha sido fácil para ele tomar essa decisão. Antes de estar no quadro de funcionários do supermercado, escreveu críticas bastante ácidas sobre a rede. Foi preciso uma dose de maturidade para superar o ódio e seguir em frente. De fato, passou-se um ano entre a proposta de emprego e a contratação.
Lógico que alguns de seus companheiros de causa acusaram-no de vendido, da mesma forma que fãs do open source cheios de ideologia. Mas hoje ele contribui muito mais para um planeta saudável do que nos tempos de ambientalista clássico. E ainda é respeitado no meio, é um dos seis conselheiros mundiais do Greenpeace.
Entre grandes empresas ditas rivais, vê-se a mesma coisa. Em seu keynote mais recente, Steve Jobs agradeceu e parabenizou a Microsoft pelo Office 2008 para Macs. A Apple pode ser concorrente, mas as companhias precisam umas das outras. Isso é parte do que torna o mercado tão interessante.
No fim das contas, não se consegue chegar a lugar algum sozinho. É preciso fazer associações, e é importante saber escolher os parceiros corretos. Perceber isso é o que diferencia as empresas de sucesso daquelas movidas por ideologia adolescente. Pode até ser alguém de quem não se gosta, afinal, não é nada pessoal, são business.
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008 às 16:25
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