John Mayer Parcerias
Mar 10

Quando tratei de religiões, pensei em escrever também sobre deus. São dois assuntos correlatos, achei que faria sentido. Eu até tentei criar algo relevante, mas não consegui. Agora, chego a conclusão de que seria perda de tempo. Muitos já falaram sobre isso bem melhor que eu conseguiria, Richard Dawkins é um exemplo que não posso deixar de citar. Se você procura algo para ler sobre o tema, procure os livros dele. Ele é extremamente lúcido quanto trata de deus, algo que mexe com as pessoas ainda mais que as religiões, acredito.

A mim, cabe apenas defender meu ponto de vista. Para isso, eu poderia escrever um texto extenso e cheio de argumentos e demonstrações para sustentar a afirmação de que a probabilidade de deus existir é muito pequena para ser considerada. E que podemos dispensá-lo sem prejuízo para o entendimento do universo e dos fenômenos naturais. Mas isso seria ridículo.

Eu não preciso dizer que não acredito em elefantes rosa voadores, ou no monstro espaguete voador. Seria ridículo da minha parte manifestar meu ateísmo em relação a várias hipóteses absurdas. Histórias sem sentido e pessoas para acreditar nelas surgem todos os dias, eu não ganho nada em me mostrar descrente sobre cada uma delas. Ao contrário, quem espera minha crença deve provar a veracidade do que diz.

Já se passaram milhares de anos desde que alguém afirmou que deus (ou deuses) existia (ou existiam). Até hoje, mesmo com milhões de crentes que sabem da sua existência, mesmo que guerras tenham sido travadas em seu nome, ninguém, repito, ninguém conseguiu provar sua existência. Todos simplesmente acreditam. Simplesmente acreditar não faz do objeto da crença uma realidade. Se há milhares de anos alguém dissesse ter visto um elefante rosa voador, talvez hoje a maior parte das pessoas acreditariam nele. A existência de um elefante rosa voador lhe soaria menos absurda se muitas pessoas cressem nisso?

Nesse momento, aquele que crê em deus se manifesta dizendo que não tenho fé. Vou me defender da acusação tentando entender o que é fé. Esse termo significa confiança, crença, convicção. Seguindo essa definição, tenho fé, sim. Tenho fé nos meus pais, nos meus amigos, em mim mesmo e, principalmente, na dúvida. Acredito na dúvida, ela é capaz de levar a conclusões reais e confiáveis.

Sem provas, a fé em deus é cega. Não tenho fé cega, nem se espera isso de mim, porque acreditar sem provas não é atitude digna de mérito. Faz parte da cultura vigente mostrar o devoto como ser merecedor de honra, quanto mais sem fundamentos sua crença, melhor. Será tão difícil perceber o quanto isso é ridículo? É um ode à estupidez, e ajuda a perpetuar a burrice, como se a ignorância fosse louvável.

Esse tipo de fé é como cigarro, não há dose segura de consumo. Por isso, afirmar que não acredito em deus é ridículo. É desnecessário dizer o óbvio; e simplesmente acreditar em algo é ridículo. Dessa forma, o próprio deus é ridículo.

A única utilidade que lhe resta é como interjeição. Por isso usei esse título, ali é o único lugar em que deus faz sentido.

PS: Quando terminei de revisar o texto, percebi que minha contundência pode soar agressiva para alguns. Correndo o risco de perder parte da força da mensagem, vou tentar me justificar. Não quis apaziguar meu texto escolhendo palavras mais doces justamente porque quero chocar as pessoas com o objetivo de chamar sua atenção e fazer pensar. Se você se ofendeu porque ataquei suas crenças, abra sua mente para a diversidade existente no mundo. Eu não me ofendo quando atacam minhas crenças, e fazem muito isso. Chegando ao cúmulo de dizer que só penso assim porque ainda não vivi o suficiente, que vou mudar no futuro. Acho esse tipo de fala um desrespeito, como se eu não fosse capaz de raciocinar por mim mesmo.

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Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Segunda-feira, dia 10 de Março de 2008.
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Apenas um comentário no texto “Ai, meu deus”

  1. D'angelo diz:

    Para os peixinhos, quem limpa o aquário é deus.

    Mandou bem garoto!!! Mais uma vez concordo contigo.
    Bjimmm

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