E aí, bixo? Inversão de mídias
Fev 14

Esta lista tem cara de meme, mas não é, até onde sei. Mesmo assim, se alguém gostar da idéia que quiser aproveitar a pauta, vá em frente, e mande um trackback.

Apesar de gostar muito de música, tenho ouvidos críticos. Isso, na maior parte da vezes, impede que eu realmente sinta a canção, fico preocupado analisando tecnicamente e dissecando a arte. Mesmo entre as músicas que gosto, são poucas que exercem comigo sua função de emocionar o ouvinte.

Ainda assim, algumas conseguem. A sensação que tenho quando as ouço é física, instintiva, e eu adoro isso. Se você foi um leitor atento, perceberá um padrão. A maior parte dessas canções tem um formato que poderia ser comparado a uma parábola com concavidade para baixo. Começam tranqüilas, no meio são fortes e depois voltam a ficar calmas. É um modelo manjado, eu sei, mas funciona comigo. Dizem que a razão para esse modelo ser bom é ele ser semelhante ao ritmo de uma cópula: inicia com as preliminares, depois vem o frenesi orgástico, e então o relaxamento. Vai ver estão certos.

  • The Blower’s Daughter, do Damien Rice: conheci vendo o filme Closer, perto demais. Não entendo o que todo mundo viu de bom nesse filme, a única coisa que me agradou foi a referida música, mas só por isso já valeu, e até hoje é a única canção do Damien que conheço. Não julgue pela versão da Ana Carolina com o Seu Jorge, É isso aí, a original é infinitamente melhor. Aliás não entendo porque eles foram estragar o disco, que é bom, com essa versão piorada de The Blower’s Daughter. Toda tentativa de traduzir música estrangeira é um fracasso, exceto no caso da Jovem Guarda, mas parece que os artistas não aprendem isso nunca.
  • Creep e Fake plastic Trees, do Radiohead: foi difícil escolher uma única canção do Radiohead, até porque eles são mestres no formato de música que descrevi na introdução. Creep é um hino para o loser mais loser que o loser, que ama a(o) garota(o) mais que a si mesmo. E para piorar o objeto da atenção sempre é um(a) desatento(a), que não dá a devida atenção, senão por maldade, simplesmente por não ter notado que é alvo de adoração. Triste até não poder mais, e, sim, brega no último, e isso é parte do que me atrai.
    Quanto à Fake Plastic Trees, quem ouviu aquilo e não se arrepiou que procure um médico. Isso sem falar nos clipes, quando se trata de Radiohead, pode esperar uma obra de arte a cada vídeo.
  • What a Wonderful World, do Louis Armstrong: talvez a melhor música já escrita, segundo eu mesmo. <brincadeira>É tão boa que nem o Joey Ramone conseguiu estragar.</brincadeira> Talvez seja o contraste da suavidade da melodia com a voz do Armstrong, talvez a magnitude do tema tratado na letra, não sei o que faz eu gostar tanto dessa canção. De repente não saber o motivo seja justamente o que me agrada, até porque tecnicamente ela é simples. Mais uma prova de que a real genialidade está em descomplicar as coisas.
  • Meu aniversário/Relicário, do Nando Reis: não são apenas as canções, mas o medley que o Nando fez com elas no MTV Ao vivo. Ele canta só a primeira estrofe e o refrão de Meu aniversário, e emenda com Relicário, é sublime. Ajuda o fato de esta última ser muito agregada à imagem da Cássia Eller, com quem ele dividiu os vocais na gravação que eternizou a canção.
  • Fix You, do Colplay: novamente, uma banda que abusa do formato fraco-forte-fraco. Escolhi Fix You, especificamente, por causa do clipe. Quando ele sai da rua escura e entra no palco, com uma platéia enorme, e a canção fica mais forte, é impossível não se abalar. Mas essa não é a melhor música deles, nem a melhor desse disco. A verdade é todas são as melhores músicas deles, os caras são bons no que fazem.
  • Beautiful Day, do U2: a guitarra do The Edge transforma até Parabéns para Você em um clássico. É incrível o que ele consegue fazer com aqueles efeitos todos, praticamente inimitável. U2 é A banda para levar a uma ilha deserta, até porque eles devem ter um jatinho para tirar você de lá :D.
  • Bittersweet Symphony, do The Verve: essa canção foi um sucesso tão grande, na época, que fez a banda acabar. Eles voltaram há pouco tempo. Realmente, superar Bittersweet Symphony não deve ser fácil, trata-se do teminha repetitivo mais pegajoso da década de 90. Até em comercial de banco ela funciona, comigo. É a música que me faz pensar que o pop ainda tem salvação. E não venha me contrariar, porque britpop é pop, ponto final.
  • “Índios”, da Legião Urbana: só um fã de verdade para se importar em saber que o nome dessa música deve levar as aspas. A Legião foi a primeira banda de que eu gostei, até hoje acredito que seja uma das melhores coisas que já passaram pelo rock. Há milhares de interpretações diferentes para o que ele quis dizer nessa letra, mas ela é tão perfeita, que deve-se apenas contemplar e invejar o talento do Renato. Sem falar no tema que, apesar de ser fácil de executar no teclado, fica muito difícil quando transposto para o violão, e no acústico, o Dado tocou ele sem erros.
    Outra curiosidade é que ninguém sabe como cantar essa canção. Todo mundo começa com “quem me dera ao menos uma vez”, e espera ele cantar o que vem a seguir para acompanhar, porque é simplesmente impossível lembrar!
  • Sentimental, dos Los Hermanos: ouvidos atentos percebem uma semelhança com Creep. Realmente, as músicas são idênticas. Essa manção merece a menção por causa do dvd Ao vivo no Cine Íris, no interlúdio instrumental há um close no rosto do Amarante e vê-se a olhos nus que aquilo no palco realmente é sincero. Não é à toa que eles deixaram uma legião de órfãos, apesar da Desciclopédia discordar, todos os discos deles podem ser ouvidos à exaustão sem sinal de tédio.
  • Stop This Train, do John Mayer: o John Mayer merece um post inteiro. Essa música é sobre aquela sensação de que o mundo está correndo rápido demais, e tudo que você quer fazer é descer e pegar suas coisas de volta. Mas não é possível, você tem que continuar andando, porque é isso que as pessoas fazem.
    Se você apenas ler minha descrição pode pensar que se trata de uma canção triste, mas não é, ela é contemplativa, ouça que você entenderá.
  • Todas elas juntas num só ser, do Lenine: demorei um tempo para pegar todas as referências dessa letra. Para você ter uma idéia, foram quatro meses de trabalho para escrevê-la. Não sei como ele decorou tudo para cantar ao vivo, além de ser dificílima de executar. É uma declaração de amor cheia de conteúdo, muito mais interessante que um I love you. Se você quer conhecer alguma música do Lenine, que seja essa.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quinta-feira, dia 14 de Fevereiro de 2008.

3 comentários no texto “Músicas que me arrepiam”

  1. Marco L. do Prado diz:

    ei cara se tu fosse meu vizinho seria legal, pelo menos eu ouviria boa música =)
    gosto de todas as bandas que tu falou ai em cima, Los Hermanos, Radiohead, Lenine e entre outros, só não conhecia o Damien Rice o.O, mas baixei a música que tu fala e nossa repetiu uns 30 vezes no Winamp \o e no XMMS o/, eu num assisti o filme que tu mencionou, humm mas quero assistir só pra ver se discordo da sua opinião =P

    abraços até a próxima

  2. Fabiane diz:

    Esse comentário eu escrevi na sexta, mas a conexão caiu e eu o guardei aqui na minha máquina da faculdade pra poder postar, inda que tardiamente:

    Creep é o meu hino loser-mais-que-loser preferido. Me identifico horrores com essa música! Horrores mesmo, porque quem se identifica com loser só pode ser uma grande loser.

    Fake Plastic Trees é default. Linda. Linda. Linda.

    Fix you: suspiro fundo quando chega no solinho de guitarra. Ô musiquinha pra tirar a gente da realidade, hein? E quando ele canta “what can be woooooorst?” Snif!

    Acredita que eu tenho uma versão da Bittersweet symphony com o Verve e o Coldplay cantando ao vivo?

    Beutyful day não me arrepia, mas me faz me sentir bem. Coisa de fã (U2 é de longe minha banda preferida, apesar de ter outros artistas em alta conta), mas às vezes eu a ouço e paro de fazer o que estou fazendo, como se tentasse sentir o sangue correndo pelas veias. Ok, isso foi estranho.

  3. Fabiane diz:

    Meu zeus, “Beutyful” foi de lascar.

Comente

Feed para os comentários deste post

Comente, porque trocar idéias é o melhor jeito de aperfeiçoá-las. Ler os comentários e conversar com os leitores é a razão pela qual escrevo um blog e não um diário.

Sinta-se a vontade, inclusive, para criticar ou discordar de mim. Só não use de ofensas (a mim ou a qualquer outro comentarista), texto em caixa alta, ou miguxês (uma ofensa ao português).

Primeiro porque escrever assim enfraquece seu argumento, segundo porque isso me obrigará a publicar seu e-mail (spammers will find you) e endereço de IP, humilhando-o pela exposição de sua ignorância.

Exceto nesses casos, fique tranqüilo, seu e-mail não será publicado, vendido ou lotado de spams. Só servirá para eu entrar em contato no caso de preferir responder pessoalmente seu comentário.