Um post extraordinário (em todos os sentidos) Síndrome do músico amador
Fev 07

Acredito que o modelo Open Source de desenvolvimento seja viável. Não quando se segue uma ideologia de que a produção intelectual não deve ser taxada, até porque quem tem esse pensamento geralmente não gera conteúdo algum, apenas prega o que pensa ser melhor para os outros.

Estou me referindo a olhar para o Open Source da mesma forma que se vê o capitalismo tradicional. Com maturidade e pé no chão, fazendo dele uma alternativa em que para um ganhar, o outro não precisa perder. Na teoria dos jogos isso tem nome, chama-se soma não-zero.

Mas o que dizer dos projetos que claramente não darão retorno financeiro algum? Por que algumas pessoas altamente capacitadas investem seu conhecimento e tempo em certas iniciativas, como o Jailbreak do iPod?

O destravamento do iPod e as aplicações desenvolvidas por terceiros são gratuitos. Não há publicidade ou investimento de uma grande companhia custeando as despesas, por isso não acredito que eles estejam ganhando o suficiente sequer para pagar o esforço. Mesmo assim o produto é muito bem resolvido. Com elegância e competência impressionantes, maiores que as de muitas gambiarras por vezes feitas pelas próprias fabricantes dos aparelhos (não que esse seja o caso da Apple).

Só posso acreditar que essa é uma demonstração do verdadeiro espírito hacker. O objetivo é ir onde ninguém nunca foi, fazer o que nunca foi feito, usar o aparelho para algo que ele não foi planejado, ou melhorar os recursos já existentes. A gratificação é ver que é possível, e também usufruir, afinal eles são também o público-alvo das aplicações que escrevem.

Não vejo maneira melhor de assegurar a qualidade de um produto senão colocar seu consumidor para projetá-lo, sem falar no quanto se economiza no setor de controle de qualidade. Alguns projetos baseados em colaborações do usuário já perceberam e se aproveitam disso.

A pergunta que fica, entretanto, é outra: quando sair o SDK oficial, essa força de trabalho estará disposta a continuar contribuindo? Ou será que, como é isso que se espera deles, vai parecer trabalho gratuito, e então o incentivo de escrever aplicativos originais e criativos acaba?

Segundo o próprio grupo, o ritmo de desenvolvimento será mantido. Mas quando ele é institucional, creio que perca o frescor que só a ousadia confere.

Uma abordagem interessante para resolver o impasse, gerando um incentivo genuíno, é a proposta pelo Android, o sistema operacional para celulares do todo poderoso. Em vez de contratar uma equipe de programadores, eles darão um prêmeio. São dez milhões de dólares ao aplicativo que eles julgarem ser o melhor.

Na minha opinião, isso é genial. Apenas aproveitar a sabedoria das massas, e nessa hora, a motivação certa é tudo.

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Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quinta-feira, dia 7 de Fevereiro de 2008.
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3 comentários no texto “Gostoso é o desafio”

  1. Pirataria | Leandro Facchinetti diz:

    […] exemplo disso é o jailbreak do iPhone. Não fosse ele, as vendas do aparelho não seriam as mesmas. Especialmente para os consumidores […]

  2. Sozinho, e muito bem acompanhado | Leandro Facchinetti diz:

    […] Músicas que me arrepiamFabiane sobre Músicas que me arrepiamPirataria | Leandro Facchinetti sobre Gostoso é o desafioLayla Tabosa sobre E aí, bixo?Marco L. do Prado sobre Músicas que me […]

  3. Parcerias | Leandro Facchinetti diz:

    […] sou nenhum openxiita (nem poderia, estou escrevendo este texto no Word, seria um contrasenso), mas simpatizo com o modelo open source. Ele já é adotado em muitos projetos sérios, por empresas que não têm como objetivo defender a […]

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