Fev 21

Quando decidi prestar vestibular, ano passado, uma das primeiras coisas a serem definidas foram as universidades nas quais eu tentaria entrar. Seguindo alguns critérios lógicos e práticos, cheguei a uma lista de quatro instituições, entre elas, apenas uma fica na cidade onde meus pais moram. Qualquer outra me obrigaria a sair de casa.

Junto com a escolha das universidades, defini qual teria prioridade sobre a outra. Seria útil no caso de ter que optar entre mais de uma. No fim, fui aprovado em dois vestibulares, então foi realmente necessário ter pensado a esse respeito.

Neste texto, vou analisar um aspecto isolado entre todos em que me baseei para defenir minha preferência: ter de me mudar. Ao contrário do que poderia se esperar, ele não pesou negativamente, mas no lado dos prós.

Antes de defender a idéia, quero deixar claro que não se trata de uma manifestação infantil de querer fugir de casa. Nunca me incomodei de morar com a minha mãe, nossa convivência sempre foi saudável, até demais, tomando por base as histórias que ouço por aí sobre outras famílias. Existiram algumas brigas, como é natural, mas nada comparável com os conflitos homéricos que às vezes se espera dos jovens.

Em parte, isso se deve a eu ser, modéstia à parte, um bom filho. Mas principalmente, é porque tenho ótimos pais. O que até, é razoável pensar, justifica o fato de eu ser um bom filho. Mas o tema não é desconstruir e analisar a relação com meus pais, e sim mostrar porque eu dei preferência a sair de casa.

Pode soar contraditório, porém a razão é justamente que morar com meus pais é confortável. Se eu continuasse na inércia, viveria bem; como já disse, gosto de como as coisas estavam. Talvez houvesse um pequeno impedimento geográfico para a carreira que pretendo seguir, mas com alguns concessões, acredito que conseguiria um modesto sucesso.

No entanto, parece-me que o melhor, às vezes único, jeito de evoluir é sair da zona de conforto. E quanto mais cedo toma-se a atitude de fazer isso, mais fácil é a transição. Se eu protelasse muito a saída de casa, talvez desenvolvesse uma preguiça irremediável, e seguisse indefinidamente a lei do menor esforço.

Não necessariamente eu seria menos feliz, por conta disso. De repente seria até melhor deixar as coisas como estão. Jamais saberei, porque as decisões tomadas não podem ser revertidas, a vida é uma só, e não há uma oportunidade para ensaiar. Sendo assim, só resta nos atirarmos de cabeça, calculando os riscos, lógico, mas sem arrependimentos.

Como já disse, tenho a sorte de contar com dois ótimos pais, que podem sustentar essa aventura. Agradeço a eles por isso, e espero poder retribuir um dia. Dessa forma, eu vou, e estou ansioso pelo que me espera. Morar sozinho, longe da vigilância e proteção paterna, será muito diferente.

Vou cuidar da casa, talvez apreder a cozinhar, desenvolver minhas habilidades em gerenciar o dinheiro, e todas aquelas coisas. Terei a lúdica oportunidade de interromper uma faxina para postar no blog, tal qual as irmãs Bottan. Sair da zona de conforto será um desafio, e eu adoro essa idéia.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quinta-feira, dia 21 de Fevereiro de 2008.
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Fev 18

Vou entrar em um assunto que mexe profundamente com muitas pessoas. Então este talvez seja um dos textos mais polêmicos que já escrevi. Estou até preparado para as salsinhas de cristo (tm Cardoso) que eventualmente venham a aparecer. Mas, por favor, se for argumentar contra, não o faça dizendo que eu vou para o inferno por ter essa opinião, caso contrário, eu vou me dar ao direito de lhe ignorar.

Com essa introdução você deve estar esperando uma bomba. Para alguns, pode parecer isso mesmo, para outros, faz todo o sentido. Minha tese: o mundo seria melhor sem as religiões.

Para iniciar, historicamente a igreja foi fundamental na criação de preconceitos. Nunca houve, por parte dela, a tentativa de entender as atitudes que fossem estranhas ao que se estava acostumado. Isso resultou no puritanismo da sociedade atual, que condena as pessoas com base em dogmas milenares. Esses dogmas muitas vezes me parecem criados arbitrariamente, ou talvez fizessem sentido no contexto em que surgiram. Mas o lapso de milênios no tempo fez com que eles perdessem o sentido.

O resultado disso é a intolerância contra homossexuais, por exemplo. Ela está sendo vencida aos poucos, mas ainda é muito comum religiosos tratarem a homosexualidade como doença. Não é preciso dizer o quanto é grande o impacto dessa mentalidade na consciência de pessoas que, por isso, se vêem como pecadoras e erradas. Essa pressão torna a pessoa eternamente infeliz consigo, às vezes força ela a viver uma vida que não é a sua, e eventualmente termina em suicídio.

Outro ponto de destaque é a influência que a religião ainda possui nas decisões do Estado. Supostamente ele é laico, isto é, não é orientado por religião alguma, na prática fica claro que isso é ilusão.

Vou me ater ao exemplo da legalização do aborto. As maiores razões de essa proibição persistir são as questões éticas levantadas pelos grupos religiosos. É especialmente curioso que a lei trata da legalização, não da obrigação. Não se trata de uma política de natalidade que obrigue o aborto, mas sim de dar a possibilidade de fazê-lo àquelas que querem, ou precisam. Ficaria a critério da mulher, ou do casal, decidir como agir, baseado na religião ou na razão, o que preferirem.

Não vou entrar no mérito dessa discussão refutando argumentos como o aborto ser usado como método contraceptivo, ou que é matar um ser humano em potencial. Isso porque esses argumentos são ridículos, nenhuma garota usaria uma cirurgia invasiva e traumática como método anticoncepcional. E falar que o aborto é homicídio seria péssima idéia, porque colocaria toda mulher no papel de assassina, já que uma grande quantidade de embriões naturalmente não se desenvolve. Pensar nisso como um “controle de qualidade divino” também soa insano, basicamente porque é insano, é tratar um ser humano como uma lâmpada, que antes de sair da fábrica precisa ser testada.

Um aspecto importante dessa questão é que o aborto se mostrou bastante eficaz na redução da violência. Essa idéia é mostrada e defendida no ótimo livro Freakonomics. Segundo as pesquisas dos autores, os filhos indesejados têm maior chance de serem criminosos, portanto legalizar o aborto é também uma atitude em prol da sociedade.

Agora, extrapole esse tipo de constatação para outras áreas em que as decisões do Estado são retrógradas por manipulação das religiões, em vez de dar ouvidos aos especialistas. Você verá que o número de vidas negativamente influenciadas por elas é muito maior que o número de beneficiados. E não estou nem trazendo à tona atos como a Santa Inquisição, em que a igreja foi diretamente responsável por milhares de mortos.

Serei ainda mais comedido e responsável na minha argumentação. Não atribuirei à religião o motivo das guerras santas no Oriente Médio, por exemplo. Nesses casos, ela é claramente uma justificativa rasa para um conflito de natureza territorial. Mesmo sendo possível ver nela um agravante nas diferenças entre os povos que batalham, não usarei isso como defesa, porque creio que pessoas dispostas a guerrear o farão, qualquer que seja o motivo, e mesmo na falta de um.

Saindo do lado político, e partindo para o ideológico, é incoerente seguir um conjunto de idéias, ou o que diz um livro, como se aquilo fosse sagrado. As idéias foram pensadas e os livros, escritos, por humanos, então por melhor que sejam, não têm mérito suficiente para serem considerados divinos e eternamente corretos. O problema pode ser ainda pior se tudo for interpretado sem levar em conta que se trata de uma ficção, cheia de alegorias e parábolas. Lembre-se que seguir ao pé da letra as palavras da Bíblia, por exemplo, pode significar ingerir fezes e carne humana.

Outra idéia que faço questão de refutar é de que a religião pode um dia convergir com a ciência. Isso soa ridículo, aos ouvidos de alguém que leva ciência à sério, porque ela é feita seguindo um método, que tem o nada criativo mas bastante auto-explicativo nome de método científico. Se você não sabe do que se trata, siga o link e perceba que envolve observação, criação de uma hipótese e, o mais importante, prova da teoria. Caso ela não explique satisfatoriamente o caso de estudo, é refutada e inicia-se o processo novamente.

Além disso, é comum uma teoria ser colocada na parede por outra, e se essa contestação tiver embasamento, a idéia antiga é substituída. Há uma evolução de pensamento ao longo do tempo. Ao contrário dos dogmas religiosos, estes são criados sem base em evidência alguma, e jamais podem ser questionados depois disso.

Por isso, é impossível unir ciência e religião, elas são fundamentalmente diferentes, desde o mais íntimo que caracteriza cada uma das duas.

Há, ainda, quem defenda a religião alegando ser ela o pilar de moralidade que sustenta a sociedade, que a mantém longe da selvageria. Mesmo se isso estivesse correto, manter uma instituição tão dispendiosa apenas por essa razão seria um erro, o saldo seria negativo, no fim das contas não valeria a pena.

Mas, se você raciocinar um pouco sobre o tema, perceberá que a religião não influi na escolha pessoal de ser bom ou ruim, ou, em última análise, seguir ou burlar as regras estabelecidas pela comunidade em que se vive. Para sustentar essa idéia, peço que observe os não religiosos. A maioria, ao contrário do que a suposição previa, não é selvagem, tampouco é deprimida, ou sem razão para viver. De fato, geralmente são essas pessoas as mentes mais brilhantes e avançadas da humanidade. Nunca ouvi falar, por exemplo, em um não religioso que, para defender seu ponto de vista, lançou aviões sobre prédios cheios de pessoas. Violência dessas, só vejo vinda de religiosos.

Outra prova, é que as pessoas julgam estar moralmente erradas algumas atitudes propagandeadas pelas religiões. É o caso de oferecer suas filhas e mulher para serem abusadas, em troca de sua própria segurança, tal qual alguns personagens bíblicos fizeram. Ou mesmo, na polêmica recente dos preservativos.

A defesa dos religiosos, nesses casos, é que essas posições devem ser analisadas de forma metafórica, ou como equívocos pontuais. Sendo assim, o parâmetro para se basear nas escolhas do que interpretar de forma literal, e o que ver como alegoria, é alheio às religiões. É acessível, portanto, a todos os seres humanos. O que torna a igreja, mais uma vez, irrelevante e dispensável, ou até problemática, porque agrava a dificuldade na escolha de como agir, uma vez que acrescenta complexidade à questão.

A discussão sobre a existência de Deus fica para outro texto, apesar de achar que, se você leu o que escrevi até aqui, já pode presumir minha posição no assunto. Por enquanto, o que digo é: a religião talvez tenha sido uma etapa importante na formação da sociedade, mas já passou da hora de evoluirmos. Em um mundo inteligente no qual nos gabamos de viver, não há lugar para instituições tão inúteis e perigosas, como a igreja e as religiões. São excessos dos quais podemos, e devemos, nos desfazer.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Segunda-feira, dia 18 de Fevereiro de 2008.
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Fev 17

Um dos maiores benefícios da revolução tecnológica ocorrida nos tempos modernos é facilitar o acesso às informações. O conhecimento gerado atualmente pelas pessoas é publicado de forma que todos podem ter contato e interagir com o produtor em tempo real. Sem dúvidas, isso é ótimo, contribui para um avanço ímpar na história.

Com a popularização das ferramentas de produção, o volume de conteúdo cresceu incrivelmente. A mais nova face do fenômeno são os sites colaborativos, nos quais os consumidores também fazem as vezes de criadores. Neles, floresce a tão falada sabedoria das multidões.

Há, porém, quem discorde dessa idéia, defendendo que na verdade a multidão é burra. Em parte estão certos, a quantidade de conteúdo de qualidade cresce na mesma proporção que o lixo cultural. Sempre foi assim, mas no mundo superlativo em que vivemos, o fenômeno é exponencial, muito mais perceptível e inebriante.

Nesse ponto que quero chegar. Por mais que existam ferramentas trabalhando em catalogar, qualificar e facilitar a pesquisa pelo critério da relevância, o efeito colateral é drástico. O volume gigante de informação se transforma em uma montanha intrasponível.

Minha intenção não é defender a ignorância, como talvez possa parecer, mas chamar atenção para o efeito psicológico negativo que a quantidade excessiva de conteúdo pode acarretar. Não só fica difícil se achar em meio a milhares de sites que uma busca no Google traz, mas também cria-se uma barreira mental. É um impedimento sutil, que pode ser confundido com a preguiça, mesmo sendo essencialmente diferente. Ele não é percebido pontualmente, mas a longo prazo a estafa fica evidente.

Falando por mim, a velocidade do mundo atual é tão grande que me atropela. Continuo achando tudo muito fascinante, mas fico com a sensação constante de que estou deixando as coisas passarem por mim sem prestar a devida atenção. Está impregnado na minha mente aquele pensamento desconfortável de “estou esquecendo algo”.

Depois de um dia em que li centenas de textos, resta pouco em minha memória. De fato, é humanamente impossível recordar tudo, ou sequer uma fração significativa. Chego ao cúmulo de me perder no próprio pensamento, esqueço a linha de raciocínio que estava seguindo. É uma sensação estranha e irritante, como se, falando comigo mesmo, eu não me desse ouvidos.

Esses brancos são cada vez mais freqüentes, e eu tenho verdadeiro pavor de perder uma idéia entre as lembranças trancadas para eternamente no subconsciente. O que me fez desenvolver o hábito pedante mas necessário de sempre andar com alguma ferramenta de anotação. Seja o celular, o aplicativo de notas do iPod, ou o velho caderninho com caneta.

A paranóia chegou a afetar meu comportamento. Se eu não consigo registrar o que preciso, fico irritadiço, pedindo para as pessoas a minha volta ficarem em silêncio. Deprimente, eu sei. Isso mostra que não confio mais no meu próprio cérebro. Sinal que a senilidade está chegando cada vez mais cedo, no meu caso, aos dezessete.

De repente, é um sinal de que está na hora de aprender uma técnica zen de relaxamento mental. Dizem que ajuda.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Domingo, dia 17 de Fevereiro de 2008.
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Fev 16

Supostamente, deveria ser muito simples para mim, emitir uma opinião sobre a pirataria. Meus pais me sustentam, e eles vivem das locadoras de filmes que têm. Então, dependo do aluguel de dvds legalizados, sendo assim, eu deveria combater a pirataria e ser veemente contra ela.

Pois não é assim que funciona, porque sou ponderado, então deixe-me elaborar um pouco mais. Por um lado é claro que a pirataria está matando as produtoras tradicionais de conteúdo. O baque na indústria é forte e percebido por todos que estão no meio. Mas se você analisar a fundo, verá que ela estava fadada a acabar, de uma forma ou de outra, pelo menos nos moldes tradicionais que reconhecidamente funcionaram no século passado.

Com a revolução tecnológica que vivemos, e a facilidade de acesso às ferramentas de produção, está claro que evoluiríamos para a criação e consumo localizados. É a formação de nichos que prega a teoria da cauda longa. De forma que a pirataria no máximo está acelerando um processo natural.

Há de se admitir, ainda, que em alguns casos a pirataria foi involuntariamente a melhor promoção que um produto poderia ter. É o caso do megahype do Tropa de Elite, por exemplo. O filme é ótimo, um dos melhores filmes nacionais que já vi. Apesar de explorar um tema que já se tornou repetitivo, é de qualidade comparável ou superior aos padrões americanos. E sem se render a ele, pois possui uma estética genuinamente nacional.

Mesmo assim, eu duvido que ele teria feito tanto sucesso se não tivesse vazado antes e virado notícia. É triste que isso seja a verdade, mas ser piratiado foi bom, nesse caso.

Outro exemplo disso é o jailbreak do iPhone. Não fosse ele, as vendas do aparelho não seriam as mesmas. Especialmente para os consumidores das áreas não abençoadas pela Apple, onde comprar um iPhone seria jogar dinheiro fora. Sendo assim, por mais que eles digam que quem desbloqueou não é cliente Apple, eles estão ganhando com a pirataria. Levantam-se outras questões referentes a isso, mas são secundárias para o que estou discutindo.

Até entre os softwares que ganham com licenças, vejo um lado positivo na pirataria. Não fossem os desenvolvedores que usam o Adobe Flash pirata, por exemplo, dificilmente ele teria se tornado padrão na web. E isso inibiria a venda para aqueles que realmente pagam. Com o Windows acontece o mesmo.

Sei que essa defesa é paternalista e problemática. De fato, em um mundo ideal a pirataria não seria necessária, todos pagariam pelos produtos que consomem e seriam felizes. Mas não é assim que funciona no meu mundo, e especialmente no país onde vivo.

Para piorar a situação, as produtoras de conteúdo vão na contramão. Elas não se ajudam, relutam em se adaptar à nova realidade. Espera-se que elas mudassem seus planos de negócios. Diminuindo os preços para entrar na competição, ou justificando a diferença com um produto de alta qualidade, para atingir os públicos mais exigentes.

Não é o que vejo, os CDs hoje em dia, por exemplo, custam uma fortuna, e tem acabamento abaixo da crítica. Muitas vezes o encarte é apenas uma folha dobrada ao meio. Isso sem falar nas táticas frustradas de entrar pela porta dos fundos em um mercado que não conhecem mais.

Mesmo correndo o risco de contaminar meu argumento por me fazer parecer um apologista, tenho que confessar que sou um pirata, também. Tenho muitos gigas de músicas e softwares ilegais. Talvez isso seja culpa do preço ou da falta de oferta, no caso das canções, já que não há uma loja de venda on-line decente no Brasil. Mas não é justificativa convincente o suficiente, sei que estou agindo errado e não me orgulho disso.

Para aumentar a contradição, defendo os direitos autorais sobre textos. Copiar e dizer que é seu, um artigo de um blog cuja licença não permite tal prática, é pirataria, e é uma atitude nojenta. Mesmo que esteja sob uma licença permissiva, assumir a autoria de algo feito pelos outros é falta de respeito. Não acho isso só porque estou escrevendo um blog, já tinha essa idéia muito antes de começar. E não estou sozinho nessa defesa.

Não encontrei ainda nenhum texto meu em outros lugares, sem que eu tenha dado permissão. Mas creio que isso acontecerá, porque infelizmente parece ocorrer com freqüência. O que denuncia a falta de capacidade de produzir conteúdo de qualidade e a falta de caráter em se apropriar do material alheio existente em muita gente.

É complicada minha opinião sobre o assunto. Muitas vezes reflito sobre algum aspecto de forma diferente do que fazia antes, e chego a uma nova conclusão, mudando de opinião. Por isso, posso vir a discordar do que disse aqui, e escrever sobre isso novamente no futuro. Por enquanto, é isso que penso.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sábado, dia 16 de Fevereiro de 2008.
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Fev 15

Quando foi aberta ao público, a internet era vista, no máximo, apenas como um suporte a mais numa campanha publicitária. Isso fazia sentido, poucas pessoas tinham acesso a ela, e em tempos de conexão discada, até imagens oneravam a banda, de forma que um site não podia mesmo ser muito mais que um cartão de visitas. Os investimentos publicitários nessa área eram quase nulos, até porque o retorno seria limitado.

Bolhas se formaram e estouraram. Agora estamos em outros tempos, a internet passou a integrar qualquer campanha publicitária decente. Mais que isso, houve uma inversão no que se via antes. Antes, peças na web davam suporte à propaganda off-line, elas não eram o principal. Hoje, são os anúncios em revistas e TV que divulgam os sites, eles se tornaram o principal meio de comunicação entre a empresa e seu público.

É possível perceber que as agências procuram isso, seja através do tão comentado marketing viral, nos posts patrocinados em blogs, ou com um perfil no Twitter. Essas são abordagens muito mais atraentes, porque enriquecem a interação entre as duas partes. A marca passa a fazer parte do mundo do consumidor, e esse deve ser o objetivo de qualquer campanha.

Por outro lado, essas iniciativas exigem mais criatividade por parte das agências. Ela deve produzir conteúdo atraente para gerar interesse, e mais, precisa estar em sintonia com o público alvo. A mesma idéia não funciona duas vezes, se faz necessária uma constante renovação. E veja bem, renovação, não reciclagem, porque os consumidores são exigentes, nesse contexto, fidelização só de faz por mérito.

Nós, do outro lado, temos muito a ganhar com isso. E essa evolução mostra o quanto a web amadureceu como mídia. O que não significa que ela seja a solução ideal para todos os casos. Até hoje, a internet ainda carrega, em sua essência, seu estigma de ser segmentada. Por isso talvez não seja a melhor idéia apostar nela para vender sabão em pó para donas de casa, porque ela ainda é formada por nichos.

É uma questão de tempo para essa imagem elitista ir se extinguindo. Nosso papel, até lá, é continuar mostrando serviço para provar que a web é, sim, um investimento inteligente de grande retorno. Não necessariamente seguro, mas isso é um atrativo a mais, não um defeito. Afinal, a intenção é se destacar pela qualidade.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sexta-feira, dia 15 de Fevereiro de 2008.
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Fev 14

Esta lista tem cara de meme, mas não é, até onde sei. Mesmo assim, se alguém gostar da idéia que quiser aproveitar a pauta, vá em frente, e mande um trackback.

Apesar de gostar muito de música, tenho ouvidos críticos. Isso, na maior parte da vezes, impede que eu realmente sinta a canção, fico preocupado analisando tecnicamente e dissecando a arte. Mesmo entre as músicas que gosto, são poucas que exercem comigo sua função de emocionar o ouvinte.

Ainda assim, algumas conseguem. A sensação que tenho quando as ouço é física, instintiva, e eu adoro isso. Se você foi um leitor atento, perceberá um padrão. A maior parte dessas canções tem um formato que poderia ser comparado a uma parábola com concavidade para baixo. Começam tranqüilas, no meio são fortes e depois voltam a ficar calmas. É um modelo manjado, eu sei, mas funciona comigo. Dizem que a razão para esse modelo ser bom é ele ser semelhante ao ritmo de uma cópula: inicia com as preliminares, depois vem o frenesi orgástico, e então o relaxamento. Vai ver estão certos.

  • The Blower’s Daughter, do Damien Rice: conheci vendo o filme Closer, perto demais. Não entendo o que todo mundo viu de bom nesse filme, a única coisa que me agradou foi a referida música, mas só por isso já valeu, e até hoje é a única canção do Damien que conheço. Não julgue pela versão da Ana Carolina com o Seu Jorge, É isso aí, a original é infinitamente melhor. Aliás não entendo porque eles foram estragar o disco, que é bom, com essa versão piorada de The Blower’s Daughter. Toda tentativa de traduzir música estrangeira é um fracasso, exceto no caso da Jovem Guarda, mas parece que os artistas não aprendem isso nunca.
  • Creep e Fake plastic Trees, do Radiohead: foi difícil escolher uma única canção do Radiohead, até porque eles são mestres no formato de música que descrevi na introdução. Creep é um hino para o loser mais loser que o loser, que ama a(o) garota(o) mais que a si mesmo. E para piorar o objeto da atenção sempre é um(a) desatento(a), que não dá a devida atenção, senão por maldade, simplesmente por não ter notado que é alvo de adoração. Triste até não poder mais, e, sim, brega no último, e isso é parte do que me atrai.
    Quanto à Fake Plastic Trees, quem ouviu aquilo e não se arrepiou que procure um médico. Isso sem falar nos clipes, quando se trata de Radiohead, pode esperar uma obra de arte a cada vídeo.
  • What a Wonderful World, do Louis Armstrong: talvez a melhor música já escrita, segundo eu mesmo. <brincadeira>É tão boa que nem o Joey Ramone conseguiu estragar.</brincadeira> Talvez seja o contraste da suavidade da melodia com a voz do Armstrong, talvez a magnitude do tema tratado na letra, não sei o que faz eu gostar tanto dessa canção. De repente não saber o motivo seja justamente o que me agrada, até porque tecnicamente ela é simples. Mais uma prova de que a real genialidade está em descomplicar as coisas.
  • Meu aniversário/Relicário, do Nando Reis: não são apenas as canções, mas o medley que o Nando fez com elas no MTV Ao vivo. Ele canta só a primeira estrofe e o refrão de Meu aniversário, e emenda com Relicário, é sublime. Ajuda o fato de esta última ser muito agregada à imagem da Cássia Eller, com quem ele dividiu os vocais na gravação que eternizou a canção.
  • Fix You, do Colplay: novamente, uma banda que abusa do formato fraco-forte-fraco. Escolhi Fix You, especificamente, por causa do clipe. Quando ele sai da rua escura e entra no palco, com uma platéia enorme, e a canção fica mais forte, é impossível não se abalar. Mas essa não é a melhor música deles, nem a melhor desse disco. A verdade é todas são as melhores músicas deles, os caras são bons no que fazem.
  • Beautiful Day, do U2: a guitarra do The Edge transforma até Parabéns para Você em um clássico. É incrível o que ele consegue fazer com aqueles efeitos todos, praticamente inimitável. U2 é A banda para levar a uma ilha deserta, até porque eles devem ter um jatinho para tirar você de lá :D.
  • Bittersweet Symphony, do The Verve: essa canção foi um sucesso tão grande, na época, que fez a banda acabar. Eles voltaram há pouco tempo. Realmente, superar Bittersweet Symphony não deve ser fácil, trata-se do teminha repetitivo mais pegajoso da década de 90. Até em comercial de banco ela funciona, comigo. É a música que me faz pensar que o pop ainda tem salvação. E não venha me contrariar, porque britpop é pop, ponto final.
  • “Índios”, da Legião Urbana: só um fã de verdade para se importar em saber que o nome dessa música deve levar as aspas. A Legião foi a primeira banda de que eu gostei, até hoje acredito que seja uma das melhores coisas que já passaram pelo rock. Há milhares de interpretações diferentes para o que ele quis dizer nessa letra, mas ela é tão perfeita, que deve-se apenas contemplar e invejar o talento do Renato. Sem falar no tema que, apesar de ser fácil de executar no teclado, fica muito difícil quando transposto para o violão, e no acústico, o Dado tocou ele sem erros.
    Outra curiosidade é que ninguém sabe como cantar essa canção. Todo mundo começa com “quem me dera ao menos uma vez”, e espera ele cantar o que vem a seguir para acompanhar, porque é simplesmente impossível lembrar!
  • Sentimental, dos Los Hermanos: ouvidos atentos percebem uma semelhança com Creep. Realmente, as músicas são idênticas. Essa manção merece a menção por causa do dvd Ao vivo no Cine Íris, no interlúdio instrumental há um close no rosto do Amarante e vê-se a olhos nus que aquilo no palco realmente é sincero. Não é à toa que eles deixaram uma legião de órfãos, apesar da Desciclopédia discordar, todos os discos deles podem ser ouvidos à exaustão sem sinal de tédio.
  • Stop This Train, do John Mayer: o John Mayer merece um post inteiro. Essa música é sobre aquela sensação de que o mundo está correndo rápido demais, e tudo que você quer fazer é descer e pegar suas coisas de volta. Mas não é possível, você tem que continuar andando, porque é isso que as pessoas fazem.
    Se você apenas ler minha descrição pode pensar que se trata de uma canção triste, mas não é, ela é contemplativa, ouça que você entenderá.
  • Todas elas juntas num só ser, do Lenine: demorei um tempo para pegar todas as referências dessa letra. Para você ter uma idéia, foram quatro meses de trabalho para escrevê-la. Não sei como ele decorou tudo para cantar ao vivo, além de ser dificílima de executar. É uma declaração de amor cheia de conteúdo, muito mais interessante que um I love you. Se você quer conhecer alguma música do Lenine, que seja essa.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quinta-feira, dia 14 de Fevereiro de 2008.

Fev 13

Leandro já voltou para casa. Encontrei abrigo na nova cidade, fiz a matrícula. Sim, fui pintado de guache e cortaram meu cabelo. Virei bixo.

As próximas semanas serão um pouco turbulentas, não sei como estará minha conexão com a internet, nem se estarei com o computador montado, alive and kicking. Por isso posso não conseguir cumprir minha freqüência de postagens. Mas em breve tudo se normalizará e voltaremos à programação normal.

Falei de três textos entre meus rascunhos que, segundo eu mesmo, prometiam ser bons. Um deles eu terminei e publiquei, foi um dos artigos que mais gostei, entre todos e escrevi. Os outros ainda estão em fase de desenvolvimento e virão ao ar em breve.

Além disso muita coisa ainda vem por aí. Vocês verão.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quarta-feira, dia 13 de Fevereiro de 2008.

Fev 11

Encontrei este meme na Fabiane, e como estava a procura de posts rápidos de escrever para tapar o buraco da viagem e ela deixou a corrente aberta, resolvi aproveitar a chance. Antes mesmo de começar, aviso que vou quebrar a regra e não convidar ninguém. Se bem que parece que tanta gente quebra essa regra, que virou regra quebrar a regra (gente, tolera, por favor :D). Enfim, sinta-se a vontade de se convidar a participar.

A proposta lembra um pouco uns questionários que as meninas faziam e davam para os garotos responderem, na minha época de primário. Mas se você preferir, pense naquele quadro no fim das entrevistas da Marília Gabriela.

  • Uma hora: 60 minutos, 3600 segundos, 3,6.10⁶ milissegundos, ok, admito, não sei ir além disso
  • Um astro: a Scarlett Johansson, lógico. Não era esse tipo de astro, eu sei
  • Um móvel: cama
  • Um líquido: Coca-cola
  • Uma pedra preciosa: a Terra. E vamos cuidar bem dela. Não sou ecochato, isso é só para despistar minha ignorância no mundo mineral
  • Uma árvore: b-tree, se você sabe o que significa: vamos ser amigos?
  • Uma flor: não vejo a menor graça em flores, inclusive se eu fosse garota e ganhasse flores de presente, saberia que não era o menino certo para mim. Em vez de uma coisa inútil que vai morrer em questão de dias, por que não um iPod?. :D
  • Um animal: um ser humano inteligente. Muito melhor que um cachorro latindo
  • Uma cor: preto
  • Uma música: essa é pergunta mais difícil, escolher apenas uma é complicado. Fico com What a Wonderful World, do Louis Armstrong
  • Um livro: O Guia do Mochileiro das Galáxias (havia dúvida?)
  • Comida: petit gâteau
  • Um lugar: atualmente, só penso em São Carlos
  • Um verbo: crescer
  • Uma expressão: /^\ *[a-z0-9\._%]+@[a-z0-9_]+\.[a-z0-9_]+\ *$/, se você entendeu essa, a da árvore e for uma garota: casa comigo?
  • Um mês: 31, 30, 27 ou 28 dias; 744, 720, 648 ou 672 horas; 44640… Você já viu no que vai dar, pega sua calculadora e continue
  • Um número: o certo seria dizer 42, mas eu gosto do 5 antes de gostar do 42
  • Um instrumento musical: violão
  • Uma estação do ano: inverno

Traí a proposta de ser sucinto na resposta, e ainda copiei duas da Fabiane, mas está valendo.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Segunda-feira, dia 11 de Fevereiro de 2008.
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Fev 11

Estou acostumado a ver pichações que mandam o presidente dos Estado Unidos ir embora, exaltam Che Guevara, etc. Acho isso ridículo, mas se o sujeito foi alfabetizado com Marx e Engels, em vez de Caminho Suave, até faz sentido. No fim das contas, o meio usado já diz muito sobre a qualidade da mensagem em si, o indivíduo pensa que vai mudar o mundo, uma parede por vez.

Pois, encontro isso, perto de casa, em Florianópolis:

Vulva a Revolução

O que me leva a pensar: será isso uma manifestação bastante inteligente de um sujeito sarcárstico? ou seria, simplesmente, o autor, uma anta?

A experiência me diz para acreditar na última hipótese. Sendo assim, a constatação é: já não se fazem mais acéfalos revolucionários como antigamente.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Segunda-feira, dia 11 de Fevereiro de 2008.
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Fev 10

MarimoonUma das coisas mais bobas pela qual eu tenho orgulho de mim mesmo é de eu ter nascido exatamente no mesmo minuto em que a MTV Brasil foi ao ar pela primeira vez. Sim, no mesmíssimo minuto em que eu vinha ao mundo, era transmitido o clipe inaugural da emissora, Garota de Ipanema, na versão da Marina Lima, no caso de você estar se perguntando.

Sou, portanto, autêntico representante da geração MTV. E por alguns anos, no passado recente, assisti muito o canal, e até hoje ainda é meu preferido, apesar de, ultimamente, eu ter ligado muito pouco a TV. Confesso que da programação atual, pouca coisa eu gosto, mas a concorrência é um lixo, daí a preferência.

Vi, há um tempo, a chamada de um programa da temporada 2008 apresentado por uma garota dita a blogueira mais famosa do Brasil, a Marimoon (a moçoila na foto). A princípio fiquei um pouco incomodado, porque ela é uma fotologger, mas resolvi dar o benefício da dúvida. A miguxa pode me surpreeder, quem sabe?

Dia 28 do mês passado, o programa, chamado Scrap MTV, estreiou. Desde então, assisti uma única vez, mas creio que isso já seja suficiente para escrever este review.

Ela recebe um convidado musical, faz uma breve entrevista e, até onde vi, nenhuma performace, só conversa, mesmo. O principal, entretanto, é receber ligações da audiência para um papo-cabeça. Como peguei o programa pelo fim, só vi uma ligação: garota, 14 anos. Isso eu já esperava, dado o público alvo do programa. Tema: não consigo esquecer meu ex(!). Então a VJ fala que é assim mesmo, o melhor a fazer é sair com as amigas, ocupar o tempo, etc. Enfim, a resposta default.

Em uma primeira análise, achei idiota. Levou um certo tempo, lá pelo fim da conversa com a telespectadora, para eu finalmente entender do que se tratava. Quando peguei a idéia, gostei do programa. Sim, ele se propõe a ser fofo, e cumpre bem o papel. Há lugar e hora para tudo, afinal. Aquilo vai virar um antro de emos, mas não era uma atração feita para mim, desde o princípio.

No fim, tudo dá certo. A Marimoon é agradável aos olhos, os emos ficam felizes (será que eles conseguem?), e todos estão em paz.

Apenas espero que a Luisa não tenha ido embora. Ainda não vi chamada para nenhum programa com ela, e a MTV demite, ou deixa de renovar contratos, com freqüência mais alta do que seria normal.

PS: Continuo achando muito errado uma garota de 14 anos estar se queixando de um ex. Mas sou velho, quem sou eu para dizer alguma coisa.

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Domingo, dia 10 de Fevereiro de 2008.
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