A fórmula do sucesso Faço por prazer, obrigado
Jan 30

Até pouco tempo as pessoas reservavam suas vidas. Havia uma noção clara de privacidade, já que elas tinham total controle do que era seu.

Suas fotos estavam guardadas num álbum dentro de um armário; seus textos e idéias, rabiscados em um velho caderno; seus vídeos, numa fita VHS na estante; suas músicas, num K7 na gaveta; seus compromissos, numa agenda dentro da mochila; seus amigos, em algum lugar importante da memória.

Após a popularização da internet ficaram famosos, e são muito usados, serviços de compartilhamento de informação, em volta dos quais criou-se uma comunidade. As pessoas acostumaram-se a divulgar conteúdo nesses meios. Com isso, foi transposta a barreira que existia entre o privado e o público. O que antes era algo pessoal hoje pode ser acessado por qualquer um.

As fotos foram para o Flickr ou o Picasa; os textos e idéias para um blog ou twitter; os vídeos para o YouTube; as músicas para MySpace; os compromissos para o Google Agenda, e aberta ao público; os amigos, para o profile no Orkut. Alguns vão mais longe e colocam sua vida toda na internet, ao vivo, 24 horas por dia.

O que leva as pessoas a abrirem mão da sua privacidade de forma tão invasiva, participarem desse Big Brother voluntário?

Certamente, uma série de razões. Ser visto e reconhecido, possivelmente ganhar dinheiro, etc. Mas, para mim, o mais importante não é nada disso. O motivo que me levou a criar um blog e escrever nele é outro.

O que realmente me atrai nos blogs são os comentários, a possibilidade de conhecer e discutir idéias diferentes. Isso é genial. Esse é o grande mérito dessa revolução toda, conectar as pessoas.

Colocar em contato pensamentos inovadores de forma tão imediata e direta fará com que evoluamos cada vez mais rápido. Porque poupa-nos o trabalho de reiventar a roda continuas vezes. E quando for resolvida a problemática questão da propriedade das idéias, que inibe algumas pessoas por causa do medo de serem roubadas, estaremos chegando perto da verdadeira singularidade. Não tem volta.

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Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Quarta-feira, dia 30 de Janeiro de 2008.
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5 comentários no texto “O dilema da vida privada-pública”

  1. Ana Maria diz:

    Muito bom este texto. Realmente me dou conta dia a dia que a internet veio para ficar e não existe mais volta, estar sempre conectada com novas idéias e compartilhar experiencias com outras pessoas é fantástico, mas não vamos esquecer que o contato pessoal, a troca de um abraço, por exemplo, nunca vai deixar de ser importantissimo.

  2. Leandro Facchinetti diz:

    @Ana Maria
    Para isso que existem os BlogCamps da vida. Para as pessoas que só se conheciam pelos avatares conversarem em voz, não texto, e se verem, se abraçarem (peraí, nem tanto).

  3. Fabiane diz:

    O cara do “Long Tail” diz que as pessoas buscam reputação com essa exposição.

  4. Leandro Facchinetti diz:

    @Fabiane
    Tem razão. E me encaixo nisso, porque no fim, receber comentários e conhecer pessoas acaba sendo criar uma reputação. Mas em outro meio.

  5. Vanessa diz:

    Nunca publiquei um texto sobre minha vida e nem nada parecido, mas eua cho que as pessoas que se veem em situaçoes meio dificieis e sozinhas procuram coisas que nao sao reais, talvez pra fugir da realidade, porque na internet voce nao tem que dar satisfaçoes, e nao precisa receber cobranças e sem se identificar voce pode dizer o que quer sem sera levada a mal.
    Eu acho isso muito interessante, hoje em dia é uma forma de conhecer pessoas novas e ver que nao somos os unicos a ter problemas…
    É uma forma diferente de se envolver com pessoas e ate mesmo ajudar
    ta certo que todo mundo fala que se conselho foçe bom ngm dava vendia, mas eu nao penso muito dessa forma…
    Hoje tenho vontade de publicar minha vida em um blog, mas ainda nao sei como possui-ló…
    Adoro conversar e dar conselhos pras pessoas assim como tambem gosto de receber…
    Se quiserem uma amiga aqui esta uma….
    A partir de hoje vou frequentar diaramente esse site…

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