Uso vários softwares desenvolvidos por comunidades open-source. Mas, contrariando o que se espera desses usuários, não contribuo desenvolvendo código, ou mesmo respondendo perguntas em fóruns, apesar de muitas vezes já ter minhas próprias dúvidas solucionadas neles. Dificilmente mando um bug-report e ajudo o desenvolvedor a resolvê-lo.
Eu sou um parasita da comunidade, então? Nada disso. Minha contribuição vem de outra forma, eu divulgo os softwares open-source para quem não os conhece. Partindo do princípio que eles são desenvolvidos para serem usados, e que quanto mais usuários o programa tem, mais investirão nele e melhor ele ficará, creio que minha contribuição é tão importante quando ajudar na produção.
Não fosse o papel de pessoas como eu, dificilmente os Firefoxes da vida sairiam do gueto. Escrever um programa sabendo que ele será usado por muitas pessoas é um estímulo muito importante. E isso não é bom apenas para a comunidade, se eu indico um programa, é porque uso e gosto, então é provável que ele sirva para a pessoa que eu indico. Talvez para ela não seja o melhor, tudo bem, pelo menos ela conhece as alternativas e teve a oportunidade de escolher.
Confesso que não é tarefa fácil essa, de evangelizar as pessoas. Além do óbvio, mostrar porque o programa é bom, muitas vezes é preciso desmistificar coisas simples, como ser possível manter mais de um browser instalado ao mesmo tempo. Para muitos internet é sinônimo de um E azul com eclipse em volta, imagine o trabalho.
E, por mais que seja tentador fazer o contrário, é preciso basear essa campanha na verdade, então tomo o cuidado de falar os pontos fracos do programa. É verdade que nem todo site abre no Firefox, especialmente os dos bancos, ou do Conectividade Social, da Caixa Econômica. Mas a Caixa é um caso à parte, quem já teve que usar os serviços dela sabe.
E mais, Linux e Mac podem pegar vírus. É tão raro que eu nunca vi, mas sei de relatos. Acontece que eu não uso um software porque ele é divino, um pedaço de código perfeito no meio de um mar de Pearl, uso porque é bom e satisfaz minhas necessidades. Ou mesmo porque não encontrei alternativa melhor.
Entra aqui uma questão importante. Não recomendo um programa se percebo que não servirá para a pessoa, por mais que eu goste dele. É o que me diferencia de um fanboy chato. E essa linha é muito tênue, é preciso bom senso na hora de aconselhar. Caso contrário servirá aquele velho ditado: se conselho fosse bom dava-se de graça.
Para fazer jus a essa boa-vontade toda, terminarei o texto com algumas sugestões de softwares que se você não conhece, deveria experimentar:
- GMail: O estado de arte no que se refere a webmail. O melhor da internet, sem dúvidas. Para mim substituiu o leitor de e-mails instalado, com vantagens. Mas se você é muito apegado ao seu, é possível usar o recém-lançado suporte à IMAP, com ele o GMail é off-line também.
- Firefox: O navegador da Raposa é sensacional por si só, mas é no suporte a extensões que ele brilha em toda sua glória.
- Pidgin: Um mensageiro instantâneo mais leve que o MSN, e sozinho suporta as redes AIM, Bonjour, Gadu-Gadu, Google Talk, Groupwise, ICQ IRC, MSN, MySpaceIM, QQ, SILC , SIMPLE, Sametime, XMPP, Yahoo!, Zephyr. Chocante, não?! Ele faz as diferenças entre as redes ficar transparente, você nem precisa mais se lembrar se tal contato está no MSN ou no GTalk. E não tem propagandas na sua interface, que é simples e funcional, do jeito que eu gosto.
- Ubuntu: Convencer alguém a testar o Linux é um dos maiores desafios. Não porque ele seja ruim, pelo contrário, mas porque para muitos o Windows é parte do computador, nem sabem que é possível usá-lo sem ele. Como se fosse uma BIOS, ou coisa do gênero. Se você tem vontade de tentar, mas não quer abrir mão do seu Windows, e nem abrir uma partição ou comprar um HD, recomendo o Wubi. Ele instala o Ubuntu inteiro em cima do Windows, sem risco nenhum, virtualizado em nível de máquina. E é muito simples de usar.
- Foxit: Um substituto perfeito ao trambolho engordurado que se tornou o Adobe Reader (sorry, Adobe).
3 comentários no texto “Evangelizo, sim”
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008 às 17:57
Pois é, se eu não me engano, foi você que me mostrou a toca da raposa, e o ninho do Pidgin =D
Teve também uma grande participação na difícil escolha do meu iPod Touch, do qual escrevo agora (em vez de estar estudando oO)
Pena que não continuei a usar o Pidgin, igual eu uso o Firefox (quase que obsessivamente xP)
bom, é isso aí ;D
ps: Ah! quase esqueci, o Twitter também foi culpa sua!
Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008 às 18:47
@lwix
Se depois você não passar de ano a culpa não é minha, hein?
Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008 às 16:34
Também já fui um evangelizador hoje estou mais devagar, é muito difícil mudar o hábito das pessoas e tenho minhas dúvidas se as comunidades de software livre gostem que divulguem seus trabalhos para serem usados pela grande massa.