Extensões que uso (III) Geek no parque de diversões
Jan 19

Quem esteve no planeta Terra nos últimos dias ficou sabendo do último MacWorld. Nele, Steve Jobs apresentou, entre outras coisas, o notebook mais fino do universo. Chama-se MacBook Air, e já virou sonho de consumo de muito geek por aí.

Mas o que me traz a pena à mão não é o produto em si, e sim a forma com que ele foi apresentado. Os keynotes do Jobs são sempre impressionantes, sua retórica é uma referência para mim, aprecio muito a capacidade de expressar idéias de forma clara. Vai muito além do charme incontestável que ele certamente possui, há muito trabalho por trás da apresentação para torná-la atraente.

E ele não é referência só para mim, o Tio Bill também parece seguir seus passos. O vídeo engraçadinho de seu último keynote na CES me soa como uma tentativa de conquistar o público tal qual o Steve faz. Na verdade não é só nisso que a Microsoft anda copiando o modelo de gerência da Apple e do Google, mas isso é assunto para outro post.

Esse appeal é o Campo de Distorção de Realidade que o Jobs cria. Não que eu esteja colocando em questão a qualidade dos produtos, mas a Apple não é sinônimo de perfeição. Ainda assim ela deixa todos loucos pelo que vende, e grande parte disso se deve a capacidade sobre-comum de seu CEO de se apresentar bem.

Tudo começa pela elegância, não na vestimenta, que é sempre a mesma por sinal, mas na maturidade de agradecer a Microsoft pelo trabalho no Office para Mac, por exemplo. Ele assume os fracassos e os transforma em propaganda positiva, em vez de escondê-los, como a maior parte faria. É o caso do Apple TV, que veio repaginado em sua segunda tentativa, porque a primeiro não agradou, e ele assume isso.

Achei muito interessante, também, um momento de um keynote do ano passado em que o controle remoto de slides que ele usa deu problema. Foi questão de minutos, mas, em vez de ficar com a cara de mamão que os âncoras de jornal ficam quando o teleprompter pára de funcionar, ele contou uma história da época de faculdade: seu amigo e co-fundador da Apple, Steve Wozniak, fez um controle remoto que desligava qualquer TV (deve ser parecido com o que o pessoal do Gizmodo usou na CES), e ficou desligando e religando a TV quando iam averiguar o que estava acontecendo.

É uma coisa boba, mas ter essa desenvoltura quando se está à frente de uma platéia não é para qualquer um. E mesmo no caso de ele já ter preparado uma história para o caso de algum problema, tem o mérito de planejar muito bem uma apresentação.

Mas o mais importante é sua paixão ao falar do produto. Vê-se que ele está em lua-de-mel com o aparelho, pelo jeito que o descreve. Esse entusiasmo é fundamental, ele é passado aos consumidores, e os consumidores da Apple são notoriamente muito satisfeitos, porque também são apaixonados. Ele é tão entusiástico que isso até vira motivo de chacota.

Para terminar este post, deixo vocês com o Randy Newman, que fechou o keynote numa apresentação genial. No vídeo ele interpreta a música que compôs para a trilha do Toy Story, You Got a Friend in Me. Essa canção está na minha cabeça há dias.

[Update]

Problemas no servidor resolvidos. Aqui está o vídeo.

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Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Sábado, dia 19 de Janeiro de 2008.
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