Quem esteve no planeta Terra nos últimos dias ficou sabendo do último MacWorld. Nele, Steve Jobs apresentou, entre outras coisas, o notebook mais fino do universo. Chama-se MacBook Air, e já virou sonho de consumo de muito geek por aí.
Mas o que me traz a pena à mão não é o produto em si, e sim a forma com que ele foi apresentado. Os keynotes do Jobs são sempre impressionantes, sua retórica é uma referência para mim, aprecio muito a capacidade de expressar idéias de forma clara. Vai muito além do charme incontestável que ele certamente possui, há muito trabalho por trás da apresentação para torná-la atraente.
E ele não é referência só para mim, o Tio Bill também parece seguir seus passos. O vídeo engraçadinho de seu último keynote na CES me soa como uma tentativa de conquistar o público tal qual o Steve faz. Na verdade não é só nisso que a Microsoft anda copiando o modelo de gerência da Apple e do Google, mas isso é assunto para outro post.
Esse appeal é o Campo de Distorção de Realidade que o Jobs cria. Não que eu esteja colocando em questão a qualidade dos produtos, mas a Apple não é sinônimo de perfeição. Ainda assim ela deixa todos loucos pelo que vende, e grande parte disso se deve a capacidade sobre-comum de seu CEO de se apresentar bem.
Tudo começa pela elegância, não na vestimenta, que é sempre a mesma por sinal, mas na maturidade de agradecer a Microsoft pelo trabalho no Office para Mac, por exemplo. Ele assume os fracassos e os transforma em propaganda positiva, em vez de escondê-los, como a maior parte faria. É o caso do Apple TV, que veio repaginado em sua segunda tentativa, porque a primeiro não agradou, e ele assume isso.
Achei muito interessante, também, um momento de um keynote do ano passado em que o controle remoto de slides que ele usa deu problema. Foi questão de minutos, mas, em vez de ficar com a cara de mamão que os âncoras de jornal ficam quando o teleprompter pára de funcionar, ele contou uma história da época de faculdade: seu amigo e co-fundador da Apple, Steve Wozniak, fez um controle remoto que desligava qualquer TV (deve ser parecido com o que o pessoal do Gizmodo usou na CES), e ficou desligando e religando a TV quando iam averiguar o que estava acontecendo.
É uma coisa boba, mas ter essa desenvoltura quando se está à frente de uma platéia não é para qualquer um. E mesmo no caso de ele já ter preparado uma história para o caso de algum problema, tem o mérito de planejar muito bem uma apresentação.
Mas o mais importante é sua paixão ao falar do produto. Vê-se que ele está em lua-de-mel com o aparelho, pelo jeito que o descreve. Esse entusiasmo é fundamental, ele é passado aos consumidores, e os consumidores da Apple são notoriamente muito satisfeitos, porque também são apaixonados. Ele é tão entusiástico que isso até vira motivo de chacota.
Para terminar este post, deixo vocês com o Randy Newman, que fechou o keynote numa apresentação genial. No vídeo ele interpreta a música que compôs para a trilha do Toy Story, You Got a Friend in Me. Essa canção está na minha cabeça há dias.
[Update]
Problemas no servidor resolvidos. Aqui está o vídeo.
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