Cover Flow Extensões que uso (II)
Jan 13

Retirado do Flickr: http://flickr.com/photos/toniblay/52445415/No verão passado eu me interessei por um cubo de Rubik (também conhecido por cubo mágico), que estava jogado no armário há muito tempo. Talvez você não imagine, mas há muita matemática e lógica por trás desse brinquedo. Existem, inclusive, cubos diferentes do modelo 3X3, com o qual estamos acostumados. São os de 2X2, 5X5, em pirâmide, esférico(!), enfim, para todos os gostos.

Como eu não vejo graça em ficar na tentativa e erro até acertar, fui estudar os métodos de resolução. Há uma grande variedade deles, uns são feitos visando velocidade, outros para quem não quer decorar nenhuma seqüência de movimentos, e ainda aqueles voltados aos iniciantes, que não se encomodam em simplesmente seguir um algoritmo escrito por outra pessoa. Como toda geekisse tem limite, escolhi o método da cruz, ele é muito simples, qualquer um com um pouco de paciência é capaz de resolver o cubo em poucas horas, seguindo-o.

Se você é realmente preguiçoso e está a fim de montar aquele cubo que você embaralhou e nunca mais conseguiu voltar, mas não está a fim de entender algoritmo nenhum, entre nesse site e replique o estado do seu brinquedo, ele gera um passo a passo da solução. Caso nem assim você consiga, desista e jogue o cubo fora, você nunca irá montá-lo. :D

Voltando à história, depois de uns dias brincando, conseguia fechar um jogo em cerca de dez minutos. Não é muito impressionante, eu sei, mas não me dediquei muito. Ao contrário desse pessoal que encontrei no You Tube, eles levam o cubo de Rubik à sério, uns resolvem rápido, outros com uma mão só, com os olhos vendados, com os ohos vendados, mas um cubo de 5X5 (esse cara é um herói), fazendo sexo (sem link para esse, estou blefando), existe até vídeo de resolução feita por robô e por uma criança de três anos. Reparou que a maior parte é japonês? Não sei o porquê disso.

Enfim, quando lançaram, ano passado, um brinquedo novo baseado no cubo de Rubik eu fui atrás de conhecer. Estou falando do Rubik’s Revolution:

Rubik’s Revolution

Se o cubo de Rubik original já era legal, sua revolução deveria ser melhor ainda, certo? Errado. Esse brinquedo é um trambolho eletrônico e luminoso, não gira, como o original, com seis jogos, para jogar sozinho ou acompanhado. O problema é que os jogos são muito fracos.

Um deles é apertar o mais rápido possível o botão no centro da face que ficar acesa, um outro é descobrir uma seqüência certa de faces, na base da tentativa e erro. O jogo coletivo é apertar o botão na face iluminada e passar o cubo adiante, até ele apitar, então a pessoa que está com ele na mão nesse momento sai do jogo. Sim, isso mesmo, uma versão piorada de batata quente.

Sendo assim eu não posso deixar de pensar que estamos perdidos. Se a revolução de uma brincadeira inteligente e instigante é esse cubinho insosso estamos fadados à emburrecer. Luzes coloridas e sons robóticos só nos aproxima da idiocracia. Assim, daqui a pouco estaremos todos com Q.I. de um dígito.

Pode parecer exagero da minha parte, mas esse produto é sintomático. Tudo parece estar evoluindo para que os usuários precisem raciocinar cada vez menos. Uma coisa é deixar que uma agenda eletrônica decore números de telefone para você, outra é anestesiar o cérebro do consumidor para ele pense que não é mais preciso pensar.

Os efeitos disso são a horda de miguxos que invade a internet, as letras das músicas populares, as notas cadas vez mais baixas nos testes básicos de matemática e leitura e compreensão de texto, não faltam exemplos. Muitas vezes a culpada não é a falta de recursos, mas a preguiça, que é incentivada por iniciativas como a do Rubik’s Revolution. Até porque, convenhamos, um miserável não compra um brinquedo de cem reais, provavelmente ele está mais entretido procurando um jeito de não morrer de fome.

Ou será que eu interpretei a relação causa e efeito no sentido inverso? Nesse caso, qual a razão da população estar cada vez mais ignorante?

Textos relacionados:

Escrito por Leandro Facchinetti e publicado Domingo, dia 13 de Janeiro de 2008.
tags: , ,

2 comentários no texto “Cubo de Rubik e o emburrecimento das pessoas”

  1. Bábi diz:

    Excelente ponto de vista. Finalmente, alguém que pensa como eu…

  2. Anderson diz:

    Parabéns, realmente essa sua análise foi perfeita. Estava num hipermercado procurando um jogo de tabuleiro, e me deparei com esse ‘troço’ pensei que seria uma novidade inteligente, mas, após uma breve visita no youtube e lendo o seu tópico pude notar que estão substimando a mente humana. Esse ‘trambolho’ me lembra uma certa cena em LOST que um indivíduo fica apertando uns botões… Quer comprar um jogo inteligente, fuja desse!

Comente

Feed para os comentários deste post

Comente, porque trocar idéias é o melhor jeito de aperfeiçoá-las. Ler os comentários e conversar com os leitores é a razão pela qual escrevo um blog e não um diário.

Sinta-se a vontade, inclusive, para criticar ou discordar de mim. Só não use de ofensas (a mim ou a qualquer outro comentarista), texto em caixa alta, ou miguxês (uma ofensa ao português).

Primeiro porque escrever assim enfraquece seu argumento, segundo porque isso me obrigará a publicar seu e-mail (spammers will find you) e endereço de IP, humilhando-o pela exposição de sua ignorância.

Exceto nesses casos, fique tranqüilo, seu e-mail não será publicado, vendido ou lotado de spams. Só servirá para eu entrar em contato no caso de preferir responder pessoalmente seu comentário.