Quem me conhece sabe que passei o ano passado concentrado no vestibular. Com isso não só estudei as matérias que são pedidas, mas passei a conhecer a natureza desse teste. Hoje acabei a última prova, da última universidade que tentei. Terminada a maratona, agora é hora de refletir sobre tudo que passei.
Para começar, esse rito de passagem é muito criticado, acusam de ser um método injusto, discriminatório. Eu não poderia discordar mais. Talvez pudesse haver uma forma mais sofisticada de avaliar os alunos, de repente entrevistando-os um a um, por exemplo. Mas essas práticas demandariam tempo e investimentos absurdos, que tornam toda a operação inviável. O vestibular é o melhor jeito de escolher os candidatos que estão aptos à entrar na universidade.
Fato é que o vestibular é uma prova meritocrática. O estudante deve ser bom o suficiente para merecer uma vaga, simples assim. Não apenas bom no sentido de conhecer os conteúdos pedidos, mas também de saber gerenciar o tempo, ser maduro, crítico, até mesmo pontual, para chegar no local de prova no horário. Por isso não tenho dó dos candidatos que chegam um minuto depois dos portões fecharem, eles ficam com cara de mamão numa reportagem que todo ano se repete, e eu acho graça.
Idéias como a avaliação do histórico escolar são problemáticas porque falham em apontar quem é melhor aluno. É notório que são as piores escolas que dão as melhores notas. Políticas de ações afirmativas e cotas são igualmente deturbações de avaliação. Se o Estado se preocupasse realmente com a educação dos favorecidos por esses programas investiria em educação básica, em vez de remendar o estrago num estágio avançado da vida acadêmica do estudante. Um caso clássico de foco no problema, não na solução. No fim a situação é maquiada e, já que parece solucionada, estende-se indefinidamente. Infelizmente parece atitude para conquistar votos no grande celeiro eleitoral que as classes baixas se tornaram.
Essa sucessão de eventos forma o curioso cenário atual. Há uma completa inversão do que deveria ser ensino público e privado. Os estudantes do ensino médio de escolas privadas querem ir para as universidades federais e estuduais porque elas têm maior prestígio. Para os outros as chances de ingressar nessas instituições são menores, então por falta de opção acabam pagando pelo ensino superior.
Não há uma solução única e definitiva para o problema. Ele é muito mais complexo que pode parecer, não basta o óbvio: investir no ensino fundamental e médio. Mas se há uma certeza é de que mudar o sistema do vestibular não é uma alternativa.
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008 às 14:43
bom texto cara!
a questão da educação no brasil é realmente complicada…
eu aqui na alemanha vejo que o sistema é muito diferente, beeem mais puxado e difícil… e eu percebo que os jovens têm uma mentalidade muito desenvolvida, e isso se deve ao fato de que a maioria lê insanamente muito por aqui…. Talvez seria uma boa idéia o governo investir bastante na leitura… fazer algo parecido com o que a Globo faz com aquelas “modinhas” todas….
Heueheuhuh
abraço!!!!
Sábado, 12 de Janeiro de 2008 às 11:48
Concordo que o aluno deveria ser avaliado de uma forma mais ampla, principalmente em maturidade, mas acho isso muito dificil…quanto ao sistema de cotas é redículo, usando uma expressão bem popular (que nesse caso cai bem), “é tampar o sol com a peneira”, pois o problema esta na educação de base e não na cor ou raça do estudante…
Sábado, 12 de Janeiro de 2008 às 12:49
@Luis Enrique
Li um livro muito bom, chamado Freakonomics. Ele foi escrito por um economista que usa sua formação de PhD pelo MIT (o cara não é fraco, portanto) para explicar fatos corriqueiros. Não se engane, não há uma linha sequer sobre inflação, desvio padrão ou coisa que o valha, e a linguagem não é o economiquês.
Pois bem, um dos capítulos trata da influência dos pais no futuro dos filhos. Através da análise de uma grande amostra de dados de uma população, chegou-se a seguinte conclusão: o que os pais fazem tem pouquíssima importância.
Como assim? Quer dizer que se eu trocasse de pais, ou mesmo se não os tivesses, eu seria a mesma pessoa? Que maldade! Esse economista está desmerecendo a figura paternal.
Nada disso, ele prova não ser importante o que os pais fazem, mas sim o que eles são.
Houve uma iniciativa por parte do governo de algum país, não lembro qual, de distribuir livros para a população. Muito provável que ele tenha se baseado numa idéia semelhante a sua. Entretanto, contrariando as expectativas, o nível educacional não melhorou.
Onde quero chegar com isso?
A solução não é investir na leitura, mas mudar a mentalidade. Simples de falar, difícil de executar, eu sei. Fato é que vale aqui a Reversal Russa, os jovens alemães não têm mentalidade desenvolvida porque lêem, o fazem porque a têm.
Domingo, 13 de Janeiro de 2008 às 11:23
Quanto mais penso na questão de como melhorar o país no todo, mais acho que deveria ter curso de edudação para os pais, pois através de bons exemplos de adultos, com certeza os filhos e jovens em geral iriam mudar seus valores e respeito pelas outras pessoas, pena que isso é itopia…..